Nos 200 anos da abertura da Barra de Aveiro O segundo centenário da abertura da Barra de Aveiro ficou marcado pelo lançamento do livro “Porto de Aveiro: entre a terra e o mar”, da autoria da historiadora Inês Amorim, editado pela APA – Administração do Porto de Aveiro; pela exposição que está patente ao público na Galeria da Capitania (em Aveiro), até ao dia 3 de Maio, intitulada “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro. 1808 – 1932 / Arquivo da Administração do Porto de Aveiro”e pela inauguração de um painel de azulejos, da autoria do artista aveirense Zé Augusto, no molhe da Meia Laranja, junto à entrada do canal da Barra aberto artificialmente no dia 3 de Abril de 1808.
“Porto de Aveiro: entre a terra e o mar” é uma obra de grande formato, com pouco mais de 220 páginas, recheada com inúmeras fotografias (algumas das quais “históricas”), gráficos, quadros e reproduções de cartas topográficas e plantas de obras executadas na barra e no porto.
Inês Amorim realçou a riqueza documental e patrimonial que encontrou no arquivo da Administração do Porto de Aveiro, que estudou a fundo para poder escrever este livro sobre a história do porto aveirense, documentos que também servem de base à exposição patente na Galeria da Capitania.
Para a autora do livro, “não se pode divulgar património, se não se conhecer esse património. É preciso estudá-lo”. O património relacionado com o porto de Aveiro, a abertura da Barra e a evolução das actividades marítimas e ribeirinhas à Ria de Aveiro é imenso, e pode motivar outros estudos científicos.
Na apresentação do livro, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, sublinhou que “quando abrimos a barra, criámos ligação ao mar. Agora, cabe-nos a tarefa de fazermos a ligação a terra”, destacando que “para o ano, teremos a ligação ferroviária ao porto de Aveiro”, facto bastante relevante porque, “o Porto de Aveiro é um dos cinco principais portos nacionais”.
Veloso Gomes, professor universitário e engenheiro hidráulico, que fez a apresentação oficial do livro, destacou o imenso trabalho de abertura e fixação da barra, então dificultado pela grande largura do cordão dunar, e a importância que isso teve para a região. Hoje, para este investigador, há um perigo real da abertura de novas barras, devido ao constante avanço do mar sobre o cada vez mais estreito cordão arenoso que separa a Ria de Aveiro do oceano. Por isso, afirmou que “estamos a adiar, não sei se por muito ou por pouco tempo, as consequências que isso terá para o património construído”.
A exposição, numa produção conjunta da APA e da Câmara Municipal de Aveiro, tem a coordenação científica de Inês Amorim e de João Carlos Garcia, os quais, durante um ano, lideraram a equipa que inventariou parte do espólio do arquivo do Porto de Aveiro. Pela quantidade e qualidade dos documentos reproduzidos, o catálogo da exposição é, também ele, um livro de relevante importância para a história do porto e da barra de Aveiro.
