O médico João Lobo Antunes está a escrever uma biografia sobre o Nobel da Medicina nascido em Avanca, que foi evocado no ciclo “Aveirenses Ilustres”
João Lobo Antunes, orador convidado da conferência “Aveirenses Ilustres” que evocou Egas Moniz, realizada no Museu da Cidade (em Aveiro), sublinhou que dentro de um a dois anos deverá estar concluída a biografia que está a escrever sobre o único português laureado com o Prémio Nobel da Medicina.
Essa biografia que não terá a característica de relato cronológico da vida do médico natural de Avanca, mas será de cariz mais temático, realçou João Lobo Antunes, que neste trabalho conta com a colaboração da Câmara Municipal de Estarreja, da Casa Museu Egas Moniz e do sobrinho neto de Egas Moniz, António Macieira Coelho, entre outros.
João Lobo Antunes considerou que o Prémio Nobel da Medicina deveria ter sido atribuído a Egas Moniz durante a década de 1930, logo após ter inventado e testado com sucesso a angiografia (técnica utilizada em todo o mundo até à invenção do TAC, na década de 1980) e não em 1949, como aconteceu. Mesmo assim, referiu que o prémio foi o reconhecimento mundial da capacidade inventiva e de investigação realizada por António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz durante décadas.
Até 1918, Egas Moniz conciliou a carreira médica com uma activa intervenção política que o levou a assumir cargos de relevo, entre os quais os de deputado e de ministro dos Negócios Estrangeiros.
Em 1911, Egas Moniz integrou a primeira assembleia legislativa saída da implantação da República, tendo defendido leis (que não foram aprovadas) como o fim da pena de morte para todo o tipo de crimes (manteve-se para os crimes de guerra) e o sufrágio universal incluindo para os analfabetos. Egas Moniz foi um dos principais artífices do relançamento das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé nos conturbados anos da Primeira República.
Para além de médico e político, Egas Moniz foi também escritor, com diversas obras publicadas sobre variados temas para além dos relacionados com medicina, e um coleccionador de arte, áreas bem patentes na sua Casa do Marinheiro, em Avanca, hoje transformada em Casa Museu Egas Moniz.
Cardoso Ferreira
Pequeno museu Egas Moniz no Hospital Santa Maria
João Lobo Antunes é investigador e professor catedrático de neurocirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, director do serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria (em Lisboa), conselheiro de Estado e escritor de reconhecido mérito (irmão do escritor António Lobo Antunes), com várias obras publicadas.
Desde cedo que Egas Moniz entrou no imaginário de João Lobo Antunes, uma vez que o seu pai, também ele neurocirurgião, foi colaborador de Egas Moniz e o seu tio-avô é considerado o “pai” da neurocirurgia portuguesa. Por isso, no Hospital de Santa Maria, onde dirige o serviço de Neurocirurgia, há um pequeno museu evocativo de Egas Moniz.
