Aconteceu-me a experiência do erro induzido, concretamente, o não assumir que se gostaria de saber, mas não se sabe o suficiente. Viajei até novas paragens. E paragens são margens desconhecidas. Este desconhecido não deve ser entendido como pejorativo. Enquanto discorria, com gravidade, sobre os possíveis significados de “longanimidade”, na passagem: “(…) quando Deus usava de longanimidade (…) “(1Ped 3,20). Foi aí que surgiu a “minhoca atrevida”. Quer dizer longe…, significa gradualidade…, modernamente, requer a processualidade… Pensei, estás a caminho da verdade. Depois, veio a consulta rápida. Sua raiz está em longanimitate: firmeza de ânimo; magnimidade; generosidade. Longanimitas, átis de longaminis,e, que deriva de longus + animus: que tem longanimidade, sofredor, paciente, resignado, corajoso.
Entretanto, paira na economia um ar de anormalidade; mas quando se trata de dinheiro, nada é anormal. Um “adivinho” disse-me, as estrelas não mentem, por dados que lhe forneci, que o meu número da sorte é o Zero. O que é fraco número. Joguei pesado e contra argumentei. O zero árabe é o silêncio da matemática; apela para a primordialidade da criação; algo menos, parecido com a “nudez” ontológica; símbolo da perfeição completada, etc. Pessoalmente, quero apenas “ser um zero à esquerda” de Deus-Pai, que no caso é à Sua direita, ou nem isto faz muito sentido, considerando o eterno abraço/beijo trinitário.
O que interessa, agora, é refletir num composto incomensurável de muitos zeros: os lucros excepcionais dos bancos, no caso, brasileiros. O local será global. Traduzido na análise significativa: quando a economia vai mal, eles (bancos e demais instituições financeiras…) vão bem; quando a economia vai bem, eles vão melhor ainda. Emprestam-nos um guarda-chuva e, no primeiro dia de inverno, de preferência, no começo das chuvas, somos “solicitados” a devolvê-lo. Realismo sarcástico: os bancos só emprestam dinheiro depois de se certificarem de que o “cliente” não precisa, entenda-se, de que o poder pagar com contra-partidas. Experimente processar um banco internacional por indenização, na base dos direitos humanos. Não será uma forma de crime organizado? O dinheiro tem cheiro. “Cheira que fede”, sentencia o povo. Claro que não podemos ter um “olhar ideológico”, porque existem referências como Gramenn Bank (“Banco da Aldeia”), devido ao economista Muhammad Yunus (cfr. Correio do Vouga, 16-11-05, p.12). Contudo, é curioso saber o que se entende por tempo favorável, para os negócios e os ócios de cada dia, segundo a mentalidade bancária. Atenção, se precisa de uma casa, carro, curso, etc., faça um empréstimo, já, por 10, 20, 30 anos, no melhor banco. Se não quer aceitar esse modo de sobreviver, faça como Jesus aconselhou: observe os corvos e os lírios, sem auto-piedade (cfr. Lc 12, 24;27). Misericórdia e Liberdade. Combinação explosiva. Esse é o nosso caminhar comum, se o desejarmos no despojamento de nossas necessidades.
