Partilha de um leitor e colaborador Desligo a música… escrevo como catarse. A Avó materna morreu. Foi operada na terça, durante a cirurgia teve uma parada cardíaca, mas resistiu. Ontem, quarta-feira, fomos fazer a visita e estava melhor. Chegou a notícia previsível da morte, em hora sempre imprevista. Precisamente, hoje, quinta, dia do SSMO. CORPO E SANGUE DE CRISTO, solenidade. Um dia belo para se morrer; um dia de Fé para se acreditar na Ressurreição do Corpo. A alma está dolorida, duma dor indolor, porque impotente no sentir. Recordo a morte, penúltima, do Avô materno, o JOSÉ, (dos 2 avós herdei o José…), estava há 3 meses em missão; agora-no-presente, praticamente, a 3 meses do fim de outro ciclo de missão, morre a Avó materna, a MARIA. Sofreu muito no seu corpo: corte da perna, perda da função renal, perda da comunicação na voz, surdez, etc. Seria, ainda um corpo, graças á medicina paliativa, de cuidados intensivos (?).
A mesma maneira de receber a notícia, por telefone, vozes roucas e sumidas; respondo com a promessa de que a próxima missa, por sinal festiva, de 1ª comunhão, em Mata Roma, Paróquia de S. Francisco, logo à tardinha, vai ser rezada por sua intenção. Vai custar um pouco, mas «tem de ser». Estou LONGE, mas quero permanecer PERTO, na fé. Só a Fé pode quebrar essa barreira do tempo/espaço. A experiência de aprendizado missionário passa por esta impotência-original, agora dolorosamente repetida. APENAS POSSO REZAR. Não tenho condições para rezar… tem de ser mesmo Deus a rezar em MIM. Vou fumar um cigarro, como desagravo!? Como confidenciava um companheiro: Só acredito na «Evangelização da Fragilidade», na «Evangelização do Silêncio»! Agora, eu também, acredito mais. Acredito na diferença: nós somos sempre a penúltima Palavra!
Pe Pedro José,
Chapadinha, Brasil
