15 de Junho Celebra-se na próxima sexta-feira, 15 de Junho, o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Este dia foi instituído pelo Papa João Paulo II, na Quinta-feira Santa de 1995, “para que os sacerdotes se conformem cada vez mais plenamente com o coração do Bom Pastor”.
Este ano, o Dia tem como tema a expressão de S. Paulo “Revesti-vos de Cristo”, que inspirou a homilia de Bento XVI, na Missa Crismal de 5 de Abril de 2007.
Recordamos os primeiros parágrafos dessa homilia papal: «O escritor russo Leon Tolstoi descreve uma pequena narração acerca de um soberano que pediu aos seus sacerdotes e sábios que lhe mostrassem Deus para que o pudesse ver. Os sábios não foram capazes de satisfazer este desejo. Então, um pastor, que estava precisamente a regressar do campo, ofereceu-se para assumir a tarefa dos sacerdotes e dos sábios. O rei aprendeu dele que os seus olhos não eram suficientes para ver Deus. Mas então ele quis pelo menos saber o que fazia Deus. “Para poder responder a esta sua pergunta, disse o pastor ao soberano, devemos trocar a roupa”. Com hesitação, mas estimulado pela curiosidade pela informação esperada, o soberano anuiu; entregou a sua roupa real ao pastor e fez-se vestir com o hábito simples do homem pobre. E eis que chega a resposta: “É isto que Deus faz”. De facto, o Filho de Deus, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, deixou o seu esplendor divino: “…despojou-se de si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens; aparecendo com a forma humana, humilhou-se a si mesmo… até à morte de cruz” (cf. Fl 2, 6 ss.). Deus realizou, como dizem os Padres, o ‘sacrum commercium’, o intercâmbio sagrado: assumiu o que era nosso, para que pudéssemos receber o que era seu, tornar-nos semelhantes a Deus.
São Paulo, para o que aconteceu no Baptismo, usa explicitamente a imagem da veste: “todos os que fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gl 3, 27). Eis quanto se cumpre no Baptismo: nós revestimo-nos de Cristo, Ele doa-nos as suas vestes e elas não são algo externo.
Significa que entramos numa comunhão existencial com Ele, que o seu e o nosso ser confluem, se compenetram reciprocamente. “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”, assim descreve Paulo na Carta aos Gálatas (2, 2), o acontecimento do seu baptismo. Cristo vestiu as nossas vestes: o sofrimento e a alegria de ser homem, a fome, a sede, o cansaço, as esperanças e as desilusões, o receio da morte, todas as nossas angústias até à morte. E deu-nos as suas “vestes”».
