Sonho e anseio…

Sonho e anseio ser verdadeiramente livre, viver num país livre, sentir as pessoas livres como o vento, transparentes como a água das límpidas fontes. Sem peias, sem reservas, sem medos, pela certeza de que todos se empenham na mesma verdade, na mesma transparência, partilhando, sem reservas, o que são e o que sabem, o que sonham, o que têm, o que produzem, o que projectam… Para o bem comum, que inclui e ordena o bem pessoal de cada um.

Sonho com um estado democrático, que respeite e promova o direito que os Pais têm de conviver com os seus filhos, de lhes comunicar os seus valores, de lhes proporcionar a comunidade educativa que melhor sirva os seus ideais educativos, ao contrário de impor uma “educação” neutra, que veicula ocultas e inconfessadas intenções redutoras da visão da pessoa, do mundo, da vida.

Anseio por um sistema de saúde, de iniciativa diversificada, que proporcione a todos a prevenção e o tratamento da doença, seja em que circunstâncias for, sempre com o objectivo único de proporcionar a qualidade de vida que dignifique a pessoa humana até ao fim dos seus dias, ao contrário de um sistema utilitarista, gerador de graves exclusões.

Anseio por uma cultura da vida, que reconheça e valorize o papel de todos na regeneração do tecido humano do nosso País, no respeito e carinho pelos mais débeis e indefesos, na integração plena daqueles que levam a cruz de limitações físicas ou psíquicas, ao contrário de um sistema economicista, sem a mínima consideração por aqueles que menos podem, quando foram, muitas vezes, os que mais trabalharam.

Sonho com uma sociedade de gente que sorri e dá a mão, que está sempre atenta ao que o outro necessite e pressurosa e solidária na busca de soluções, em vez de uma sociedade formal, enredada nas teias burocráticas, maculada pelas “portas do cavalo” que dão vez e voz apenas a quem interessa, que beneficiam apenas alguns.

Sonho com a grande mesa redonda dos portugueses, contando-se as memórias boas e más, dando-se ideias e opiniões que permitam vislumbrar caminhos de esperança e entusiasmo, em vez de passivos receptores de gurus e sábios, infalíveis, que ditam sentenças prefabricadas e com fins subtis em vista, para gozo de uns poucos.

Enfim: sonhar e ansiar não é proibido. Dá alento e exprime a convicção interior de que a pessoa humana tem virtudes para sacudir todos os jugos desumanizantes, sobretudo quando caucionada pela fé de que o Espírito opera como quer, onde quer e quando quer, precisamente no coração da pessoa e no seio da sociedade.