2º Domingo do Tempo Comum – Ano A Com este domingo, iniciamos na liturgia da Igreja o Tempo Comum, que arranca do Baptismo do Senhor e, progressivamente, vai celebrando, domingo após domingo, o mistério de Cristo, de modo que, ante os olhos da comunidade cristã, se vá desenvolvendo toda a vida histórica de Jesus sobre a terra, o acontecimento salvífico que transformou o tempo dos homens e das mulheres no marco da presença definitiva do Espírito Santo e santificador. O Tempo Comum permite-nos captar melhor o carácter de santificação do tempo que tem o ano litúrgico, ao desenrolar todos os aspectos do mistério de Cristo, sempre sob a luz pascal, uma vez que o fulcro deste tempo é também o domingo.
A liturgia da Palavra des-te domingo convida-nos a aceder a Deus, que aqui é definido como sendo a LUZ; convida-nos a deixarmo-nos iluminar por ela, porque também cada um e cada uma de nós são escolhidos por Deus para reflectir esta mesma luz. Uma luz que invade todos os cantos e recantos, que vai até ao mais profundo do ser humano, lá onde nem sequer nós nos conhecemos. Uma luz que ilumina as mais densas trevas e que opera o discernimento entre o bem, o que vai no sentido do plano de Deus e o que é mal, tudo aquilo que se opõe a este plano de Deus para a humanidade. Uma luz que abre a inteligência, isto é, a capacidade de vermos as coisas e os acon-tecimentos por dentro, que quebra o gelo da indiferença e abrasa de esperança e entusiasmo as mais arrojadas e desconcertantes generosidades.
Na primeira leitura, esta Luz é identificada com a salvação que nos vem de Deus. “Vou fazer de ti a luz das nações”, escreve o profeta Isaías, “para que a minha salvação chegue até aos confins da terra”. O profeta anuncia que Israel apesar de estar arruinado pode voltar a Jerusalém, reconstituir-se como povo de Deus e tornar-se a “luz das nações”; que apesar de se sentir ultrajado, será restabelecido, honrado pelos estrangeiros e tornar-se aliança para a humanidade; que Jerusalém será escolhida, será repovoada com muitos filhos e será libertada, e por ela todas as pessoas poderão reconhecer o Salvador. Encontro-me neste texto? A minha presença torna claras as situações? É luz reflectida de Deus?
No evangelho, João utiliza outros termos para invocar a mesma realidade. O evangelista serve-se da metáfora do cordeiro, que, no Antigo Testamento, carregava os pecados do povo, o chamado “bode expiatório”, que era enviado para o deserto, ou o cordeiro que, na Páscoa, era imolado, em memorial da libertação do Egipto, para nos assegurar que, doravante, é Jesus Cristo, aquele que nos traz a salvação. O Baptista dá testemunho de que viu descer sobre Ele o Espírito Santo; por isso atesta que Ele é o Filho de Deus. Na simbologia bíblica e cristã o Espírito Santo é também representado pelo fogo que ilumina e aquece, que queima e abrasa. Ele é, portanto, luz reflectida do próprio Deus, na qual se distinguem a pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É nesta luz que SOMOS santificados, em Cristo, e todos chamados à santidade, atesta Paulo na segunda leitura, porque a graça, isto é, o amor ou a luz de Deus e a paz, sinal da sua presença, estão connosco. Compreendo, à luz da palavra deste Domingo, que Deus me chama à santidade, tal como sou e onde me encontro. Costumo pedir a luz de Deus, a sua salvação? Procuro ser testemunha desta luz?
Leituras do 2º. Domingo do Tempo Comum – Ano A
Is 49,3.5-6; Sl 40 (39); 1 Cor 1,1-3; Jo 1,29-34
