O culto à Eucaristia fora da Missa (5)

Notas Litúrgicas E) Rito da exposição eucarística

Estando o povo cristão reunido, pode-se entoar um cântico eucarístico, enquanto o ministro, revestido de túnica e estola branca, se aproxima do altar. Abre o sacrário e coloca a píxide ou a custódia sobre a mesa do altar. Se a exposição se alonga durante um período prolongado de tempo e se expõe o Santíssimo na custódia, esta será colocada sobre o altar ou no baldaquino, evitando sempre que seja demasiado alto ou distante.

Se o Sacramento não se guarda no altar em que se vai fazer a exposição, o ministro, coberto com o véu de ombros, traslada-O do lugar da reserva, acompanhado de algum ajudante ou de alguns fiéis com velas acesas.

Exposto o Santíssimo Sacramento, se se usa a custódia, o ministro incensa o Sacramento, ora uns instantes e, se a adoração se prolonga durante um tempo, pode retirar-se.

No caso em que seja o ministro extraordinário quem faça a exposição, levará uma veste que não desdiga do seu ministério. Pode fazer a exposição do Santíssimo Sacramento abrindo somente o sacrário, ou, se se entender oportuno, colocando a píxide sobre o altar, ou pondo a forma sagrada na custódia, que deixará sobre o altar ou no baldaquino.

F) Dinâmica da celebração

A celebração tem um ritmo dinâmico e para isso conta com diversos elementos que ajudam os fiéis a estimar e a viver o mistério eucarístico, a centrar-se na oração e a dedicar-se plenamente a Cristo, o Senhor. O Ritual estabelece que, durante a exposição do Santíssimo Sacramento, não faltem cânticos, leituras, preces, nem os devidos silêncios.

Todos estes elementos devem girar à volta de uma trilogia doutrinal, fundamentada nas três palavras seguintes: Anamnese, Emanuel e Maranatha. Os responsáveis pela oração e adoração diante do Sacramento devem orientar os fiéis a centrar-se nos aspectos teológicos do acto. Infelizmente, hoje, não se compreende totalmente o significado e o conteúdo de orar diante da Presença santa, quando em muitas exposições se recitam orações, ou se entoam cânticos que não têm qualquer relação com o mistério eucarístico; por exemplo: quando se fazem actos marianos, vocacionais, novenas a santos, etc.

A dinâmica do acto exige a criação de um ambiente favorável à oração e à adoração, e o seu ritmo deve mover-se entre as duas forças do movimento descendente pelas leituras, e do ascendente pelos cânticos, preces e silêncios.

Cânticos. Cantar é orar duas vezes, cantar adorando é adorar duas vezes. O cântico é um dos elementos que exprimem e realizam as atitudes interiores, fomenta a unidade entre os adoradores, exprime os seus sentimentos e cria um clima de oração apropriado à adoração. Pela sua própria natureza, está integrado plenamente na celebração, não é um elemento postiço, nem estorva a oração, mas cria um espaço de comunhão. Os cânticos hão-de ser eucarísticos pela afinidade com o acto. Não se devem escolher apenas porque agradam ou porque é necessário encher um espaço, mas devem-se escolher os que têm o sentido teológico eucarístico e se acomodam ao momento celebrativo. Requere-se, portanto, uma selecção e uma esmerada execução. Devido à finalidade da exposição, não têm cabimento os cânticos marianos, vocacionais, sociais, etc.

Leituras. A oração diante do Santíssimo exposto necessita de ser enriquecida com os tesouros da Palavra de Deus e da Igreja, para que o fiel cristão aprofunde o mistério insondável da Eucaristia, aprecie e estime o que significa a presença sacramental de Cristo no meio da Igreja. O ritmo da escuta e resposta à Palavra é o mesmo que na celebração da Palavra de Deus na Eucaristia. Com frequência, diante do Santíssimo exposto não se deixa espaço para que o Senhor fale. O fiel toma a iniciativa e a sua oração converte-se num monólogo coloquial, no qual afloram apenas as preocupações, interesses e afectos do adorador, dando a sensação que não tem tempo de uma pausa para escutar silenciosamente o Senhor que também quer falar e comunicar. Ele é a Palavra de vida eterna, cheia de luz e cor, de alento e força de graça e de bênção. Não se trata tanto de que Ele nos escute, mas de que nós O escutemos a Ele. Podem proclamar-se uma ou mais leituras segundo as circunstâncias, cujo conteúdo será sempre eucarístico. Mesmo na exposição breve, nunca falte a Palavra, mesmo que seja a leitura breve de um texto. Às leituras pode seguir uma homilia ou exortação centrada no conteúdo das mesmas, e sempre em chave eucarística.

Silêncio. O silêncio faz parte integrante do acto, não é um vazio. Nasce daquela disposição interior à escuta divina e vai muito mais longe que a própria palavra. A língua exprimiu o que pôde, o restante há-de ser meditado silenciosamente no coração. O Espírito Santo há-de fazer ressoar no coração silencioso do orante a voz de Cristo e estabelece-se assim a união entre a Palavra e a palavra oracional do fiel. Além do silêncio interior deverá procurar-se o silêncio exterior que ajudará a intensificar o interior e fomentará a comunicação pessoal com Cristo sacramento.

Preces. As preces podem ser muito variadas, quer no conteúdo, quer no estilo. Depois de escutar e meditar a Palavra de Deus e da Igreja, brotam espontaneamente os sentimentos de agradecimento ao Senhor pelos dons salvíficos recebidos, de adoração e veneração diante da Presença sacramental, de reconhecimento como pecadores e de súplica para que o Senhor continue a abençoar e a proteger a sua Igreja e toda a humanidade. A oração de súplica não pode reduzir-se a nós mesmos, nem sequer só à Igreja, mes deve estender-se ao mundo inteiro. É conveniente que o Espírito Santo venha em nossa ajuda e peça Ele o que nós não sabemos pedir.

SDPL