Mãe dos Crentes

Santa Maria, na cruz, a espada da dor trespassou o vosso coração. Tinha morrido a esperança? Ficou o mundo definitivamente sem luz, a vida sem objectivo?

Naquela hora, provavelmente, no vosso íntimo tereis ouvido novamente a palavra com que o anjo tinha respondido ao vosso temor no instante da anunciação: “Não temas, Maria!” (Lc 1,30).

Quantas vezes o Senhor, o vosso Filho, dissera a mesma coisa aos seus discípulos:”Não temais!” Na noite do Gólgota, Vós ouvistes outra vez esta palavra. Aos seus discípulos, antes da hora da traição, Ele tinha dito: “Tende confiança! Eu venci o mundo” (Jo 16,33). “Não se turve o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14,27). “Não temas, Maria!” Na hora de Nazaré, o anjo também Vos tinha dito: “O seu reinado não terá fim” (Lc 1,33). Teria talvez terminado antes de começar? Não; junto da cruz, na base da palavra de Jesus, Vós tornastes-Vos mãe dos crentes.

Nesta fé que, inclusive na escuridão do Sábado Santo, era a certeza da esperança, caminhastes para a manhã de Páscoa. A alegria da ressurreição tocou o vosso coração e uniu-Vos de um novo modo aos discípulos, destinados a tornar-se família de Jesus mediante a fé.

Bento XVI

(Excerto do final da encíclica “Spe Slavi”, “Salvos na Esperança”)