Mais um olhar

No europeu de educação pelo desporto – 2004 Este fim-de-semana, lá para as bandas do norte, um tal Dirigente que não apenas desportivo, porque uma decisão do árbitro não lhe agradou, vai de protestar bem alto, durante e no fim do jogo, ocupando espaços que só estão destinados aos jogadores e afins e, quando as pessoas invadiram o relvado para rodear o árbitro, aliás, seguindo o exemplo do tal Dirigente, armou-se em defensor do mesmo, “escoltando-o”, em segurança, até aos balneários. Quem não teve tanta sorte foi o mostrador electrónico das substituições dos jogadores que ali ficou sozinho, ferido pelos pontapés do tal senhor.

Ridículo, sem dúvida, para quem já ocupa tantas páginas dos jornais e, nem sempre pelos melhores motivos. Ridículo até, para quem tem em outros campos da sociedade de ser dinamizador dos ideais deste Ano Europeu de Educação pelo Desporto que traçou como segundo objectivo: “Tirar partido dos valores veículados pelo desporto para o desenvolvimento do conhecimento e das competências, permitindo aos jovens principalmente, desenvolver capacidades físicas e disposição para o esforço pessoal, bem como aptidões sociais como o trabalho em Equipa, a solidariedade, a tolerância e o fair-play num trabalho multicultural”.

Aliás, a forma de reagir deste senhor a uma decisão de um árbitro com a qual não concorda tem, no fundo, a mesma filosofia a que já nos vamos habituando em outros sectores da nossa sociedade, a começar pelos mais jovens. Quando não se concorda, fecha-se a Escola, não se vai às aulas e convoca-se um dia de luta nacional. As razões são as mesmas: a revisão do estatuto do ensino não superior, as más condições físicas das escolas, a falta de pessoal auxiliar, a inexistência de acessos para os deficientes, as médias altas para o Ensino Superior e a questão da educação sexual e a Joana, assim se chama a entrevistada, reconhece “ser um erro tremendo entregar o ensino desta disciplina ao “Movimento pela Vida” já que se “trata de um movimento católico que defende a abstinência e rejeita o uso dos contraceptivos e não vai saber falar, com toda a certeza, sobre a sexualidade com os jovens e da forma que eles precisam”, concluiu.

E o objectivo proposto por este Ano continua a falar de esforço pessoal como algo que exige de cada um conhecer-se a si mesmo, elevar-se a um patamar superior, vencer as suas próprias dificuldades, ultrapassar-se mais que criticar, traçar objectivos e tentar alcançá-los.

Esforço pessoal que nos leva a sentirmos que não somos nem estamos sós, daí o trabalho de Equipa onde a solidariedade é regra: “O desporto facilita a integração num grupo onde o homem pode encontrar parceiros que partilham os mesmos desafios e lutam por objectivos semelhantes. Além disso o desporto constitui um vector de aprendizagem das regras da vida colectiva: facilita a aquisição de valores como o respeito pelos outros, a fraternidade, a solidariedade, a partilha, a generosidade, o altruísmo, o respeito pelas regras e pelas leis, o confronto leal … contribui para a edificação de uma sociedade civil onde o antagonismo é substituído pela sã competição, onde o confronto é substituído pelo encontro, onde a contraposição rancorosa é substituída pelo confronto leal”(J. Paulo II).

Educar pelo Desporto é um caminho exigente, sem dúvida, mas possível, se for assumido por todos, a começar pelos nossos Dirigentes.