Mais uma!…

Anuncia-se a eliminação, para breve, do estado civil dos registos do B.I.. Como se a nossa condição de casados ou solteiros, de viúvos, divorciados ou outro qualquer estatuto, não interessasse à “definição” pública do que somos.

É uma medida sadia de promoção da igualdade, para acautelar discriminações?… Então, como alguém reclamou – e já! -, estabeleça-se a efectiva igualdade fiscal de quem quer que seja, independentemente do seu estatuto “familiar”, que, pelos vistos, já nenhuma importância tem. Essas, sim, são discriminações deveras penalizantes, para aqueles que, exercendo legitimamente o seu direito de constituir família (tradicional?!…) como entendem, vêem tal direito sujeito a constrangimentos graves. Engano-me pensando que ainda vigora esse direito fundamental da pessoa humana?…

Ou será que, em mais uma de muitas provas ditatoriais, quadrantes políticos ou sectores ideológicos querem pensar e decidir por todos os portugueses, querem “vestir-nos” a todos – homens, mulheres…, crianças, jovens e idosos, sadios e doentes, cultos e incultos… – com o mesmo “fato de ganga”, modelo, cor e tamanho único…, para mais facilmente deslizarmos, como massa informe, indistinta, sem quadros de referência que nos identifiquem como indivíduos e sujeitos de relações, para onde nos quiserem levar?…

As violações de direitos humanos não cobrem só as restrições às “liberdades democráticas” do âmbito político. Muito mais graves e profundas que essas são, em muitas circunstâncias, as que experimentamos neste quotidiano estruturante das nossas vidas, como o são a educação, a família, a cultura, a convicção religiosa… Nesse aspecto, os relatórios que põem na lista negra países que são exímios nestas violações não devem conhecer Portugal. Se alguma brutalidade no tratamento de presos é verdadeira, descarada e despudorada é a permanente agressão oficial a estes direitos básicos da pessoa humana, ainda por cima com rótulo de expressões de modernidade!

Avançamos – e bem! – em muitas áreas científicas e de tecnologias de ponta. Mas não sinto que todos os portugueses desejem integrar uma “sociedade robótica”, submetidos a programadores incógnitos e indetectáveis, que façam tudo por nós e, sobretudo, façam tudo de nós!

Eu quero ser gente! Muitos querem ser gente. E queremos o ambiente e os meios para crescer como gente, como seres de espécie própria, capazes de pensar, de escolher, de sentir, de traçar rumos para si e com os seus. Mesmo admitindo que outros não querem ir além de sofisticados “brinquedos telecomandados”!