Mãos limpas!

A situação do nosso País – ninguém duvida – é caótica. A olho nu, qualquer pessoa entende que, sem timoneiros fiáveis, entramos na voragem do abismo. E o poder corrupto arrastará inexoravelmente um povo para a tragédia.

Mãos limpas! Mãos limpas é a única hipótese de diluir as nuvens densas que sobre nós pesam e fazer brilhar um raio de sol da esperança, que muitos ainda buscam com afinco, com optimismo.

Essas mãos limpas esperávamos nós encontrá-las na justiça – o último baluarte a garantir uma sociedade habitável, o esteio primordial da democracia. Mas, se continuam a multiplicar-se os enredos das grandes investigações e julgamentos mediáticos, na proporção do poder económico, vai-se a última réstia de confiança nessa garantia que tínhamos da preservação da igualdade de dignidade.

Sucedem-se dia a dia factos, que uns dizem políticos, mas que, na verdade, são muito mais do que isso, porque bolem com a honestidade das pessoas, com a convicção de valores nobres, com a estrutura da sociedade, com uma harmoniosa distribuição de réditos, com o legítimo exercício do serviço público…

O cidadão comum fica mais do que perplexo: confunde-se, afoga-se na desconfiança, revolta-se pela consciência que adquire de que a verdade lhe é negada e pela impotência em reclamar mãos limpas!

É muito grave, quando alguém, com nome e peso na opinião pública, afirma sem rodeios que Portugal está numa situação deveras complexa, porque a corrupção se instalou na política, quando essa deveria ser a reserva de honestidade de um país. E mais grave, diremos nós, quando a justiça se enreda nas malhas dessas forças ocultas.

Se não há matéria elegível para incriminar, não tenham medo da transparência. Se são todos tão límpidos e generosos no serviço ao bem público, por que não põem as cartas na mesa? Por que razão teimam em considerar avanços de mo-dernidade assuntos secundaríssimos, sem resolver este âmago da possibilidade de sucesso, que é devolver a confiança aos portugueses, por decisões que mostrem mãos verdadeiramente limpas?…