Em encontro com alunos da Mário Sacramento, Maria Barroso mostrou como o mundo está marcado pelo sofrimento e realçou os Direitos e Deveres Humanos
Para “uma conversa em família”, como Maria Barroso afirmou no início da tarde de 3 de Dezembro, cerca de 80 alunos e professores da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento (Aveiro) reuniram-se com a Presidente da Fundação Pro Dignitate, no auditório do Centro de Congressos cedido pela Câmara Municipal de Aveiro.
Maria Barroso começou por lembrar os horrores dos campos de concentração que visitou, e cujas imagens prevalecem tão vivas na sua memória que, ao falar, dá rosto aos milhões de seres humanos aí assassinados durante a Segunda Guerra Mundial. “Vão ver. Visitem o campo de concentração e reflictam um pouco sobre isso.” para perceberem que o mundo precisa de todos, para o tornarem mais justo e solidário. Maria Barroso citou a famosa frase do Papa Paulo VI “Nunca mais” a propósito das atrocidades cometidas nessa página negra da história da Humanidade, que, afinal, hoje se repetem em tantas partes do mundo. De facto, actualmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção dos Direitos da Criança não são respeitados, como testemunha no contacto com situações de extrema miséria em países africanos, do sudeste asiático e da América Latina. Entre muitos exemplos que deu, Maria Barroso lembrou que “a miséria tem rosto de mulher”; as diferenças entre rapazes e raparigas é verdadeiramente chocante, no acesso à educação e na mutilação do corpo feminino. Focou também o negócio das armas e das minas terrestres e a economia que à volta dele se organiza, destruindo a vida de milhares de civis; relembrou números alarmantes (três quintos da população mundial não tem saneamento básico; um quinto da população mundial não tem acesso aos cuidados mínimos de saúde; 40.000 crianças morrem por dia).
Aos alunos que a ouviram, Maria Barroso deixou vários imperativos: ler os sermões de Luther King e testemunhos de sobreviventes dos campos de concentração (Primo Levi e Jorge Semprún); conhecer a Declaração dos Deveres Humanos; integrar-se em grupos de voluntariado. “Vocês, jovens, querem o tipo de civilização do amor”, disse, referindo o Papa João Paulo II, e a globalização da solidariedade, também defendida por Jacques Delors. “É preciso ter consciência do que se passa no Mundo. É preciso que vocês conheçam a História para que consigamos outro tipo de mundo”, interpelou de forma acutilante.
Maria Barroso partilhou ainda algumas experiências que a marcaram na infância e na juventude, numa família em que a educação para os valores e para o respeito da dignidade do outro foi o imperativo moral transmitido pelos seus pais a si e seus irmãos.
No final, em resposta a um aluno, a Presidente da Fundação Pro Dignitate disse que continua a acreditar que é possível construir um mundo melhor. Porquê? Porque ver o mal que há no mundo dá-nos o desejo de agir. Ficamos insensíveis perante as cenas terríveis que se vêem? Não é possível!
Teresa Correia
