Mariano Gago quer mais formação nas tecnologias

Cidades Digitais são um bom exemplo Mariano Gago, agora na qualidade de ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, voltou a Aveiro, sete anos após aqui ter lançado o programa Cidades Digitais, para incentivar as Cidades e Regiões Digitais a abrirem-se ainda mais à sociedade e a cativarem novos aderentes, anunciando que, “dentro de duas semanas”, irá decorrer uma reunião com todas essas cidades e regiões digitais, para relançar o programa a nível nacional, recordando que a União Europeia acaba de lançar o respectivo programa europeu para os próximos anos.

Nestes sete anos, “muitas coisas se passaram na sociedade da informação”, sublinhou o ministro, aludindo ao cepticismo que a sociedade da informação então gerava nos agentes de desenvolvimento, havendo mesmo quem defendesse que “o Estado não se devia meter nessa área”. Hoje, os resultados são bastante positivos, sendo a Associação Aveiro Digital um bom exemplo, já que começou numa base muito local, a cidade de Aveiro, então abarcando somente três entidades – Câmara Municipal de Aveiro, PT Inovação e Universidade de Aveiro, estando hoje expandida para onze concelhos e participada por dezenas de entidades dos mais diversos sectores.

No entanto, Mariano Gago afirma que “o mais difícil está por fazer”, já que a “modernização e progresso social esteve na base do programa”, sector onde ainda há muito por fazer, até porque se “mais de 70% de quem conclui o ensino secundário utiliza a Internet”, só “14% dos que não concluíram o ensino obrigatório é que utilizam a Internet”, motivo pelo que é preciso “chamar a maioria da população, que não tem a formação necessária, para a sociedade da informação”.

Esse objectivo só é alcançado se se “conseguir que os mais velhos, os mais pobres e os que tiveram menos instrução tenham acesso à formação e à informação”, sublinha o governante, para quem o resultado dos investimentos no Portugal Digital se medem pela “capacidade de informar e trabalhar em rede” e pela “inserção da Internet em todos os grupos sociais e pela qualificação dos seus membros”.

O ministro reconhece que o “problema real do país é a baixa escolaridade das pessoas”, pelo que “é preciso trazer as pessoas à educação”; mas para isso a escola “tem de ir ter com as pessoas para as convencer a voltar à aprendizagem”. Objectivo difícil, já que Mariano Gago diz que “Portugal é o pais europeu com menor índice de adultos a frequentar cursos de formação”, o que ainda é mais grave sabendo-se que Portugal “é um dos países europeus com um dos índices mais baixos na formação de activos”.

Como esperança de que esses dados possam ser alterados, Mariano Gago afirmou que “as Cidades Digitais mostram que é possível motivar as pessoas para a educação”.