Maternidade na origem da natureza e da graça

É algo essencial à maternidade o facto de ela envolver a pessoa. Ela determina sempre uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe.

Mesmo quando uma só “mulher” é mãe de muitos filhos, a sua relação pessoal com cada um deles caracteriza a maternidade na sua própria essência. Cada um dos filhos, de facto, é gerado de modo único e irrepetível; e isto é válido tanto para a mãe como para o filho. Cada um dos filhos é circundado, de modo único e irrepetível, daquele amor materno em que se baseia a sua formação e maturação em humanidade.

Pode dizer-se que “a maternidade na ordem da graça” tem analogia com o que “na ordem da natureza” caracteriza a união da mãe com o filho. À luz disto, torna-se mais compreensível o motivo pelo qual, no testamento de Cristo no Gólgota, esta maternidade de sua Mãe é por Ele expressa no singular, em relação a um só homem: “Eis o teu filho” (Jo 19, 26-27).

João Paulo II

Excerto no nº 45 da encíclica “Redemptoris Mater”, sobre a Bem Aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho, de 25 de Março de 1987.