Um hino à vida! É Natal!
Nos braços da minha mãe
Uma criança sorri aqui mesmo ao lado
No abismo da nossa condição
A esperança…
Assim que o sol nasce
Tudo é magia
Magia de luz
E de partilha
(Poema colectivo dos presos de Aveiro)
Pouco antes das três da tarde, de um destes dias de muito distribuir amor e prendas às montanhas, as portas do Estabelecimento Prisional de Aveiro abriram-se e a festa de NATAL decorreu com alegria, muita música, muito ilusionismo, cantares de gente que também canta na televisão. A prata da casa também fez presépio, o seu Presépio, sem artistas, mas com muita arte, muita sensibilidade que ia do rir às gargalhadas, à lágrima no canto do olho, em tempo de mais cogitar, quando se falava em mãe, em filhos, no Filho da Virgem Maria, um filho a nascer numas palhinhas.
“Tudo tão bonito, mas lá fora há sol, não há…?!”- segredava-me aquele casal com o filhito, de três anos, a viver com eles, mais com a mãe, em prisão. Com o pai algum tempo, em tempo de festa ou de ordem para beijar.
Que mensagem de amor espalha naquela cadeia esta criança que andava de braços para braços, de assistentes sociais para chefes, de guardas para guardas, de presos para presos. É o ai Jesus daquela casa-prisão. Essa criança ainda não sabe bem o que é o sol de um dia, embora filtrado por entre frondosas árvores, cá fora. Não sabe! E oxalá, que não se venha a aperceber, um dia que as grades se rasguem, antes de descobrir outros mundos, outras veredas! Que Senhora Nossa da Vida, como ali se cantou, olhe para esta e outras crianças em iguais transes, como as do Iraque ou de terras onde, numa Noite Venturosa, nasceu na cabana um Menino, o Salvador da Humanidade.
Presentes nesta festa de Natal de 2004: Bispo de Aveiro, Governados Civil e outras entidades sociais e de justiça.
Bom Natal para todos, e muito em especial, bom NATAL para presos, doentes, imigrantes ou emigrantes, ciganos, marginalizados na vida e pela vida! Coragem, a aurora está a despontar e os Reis Magos já vêm nas montanhas e os Pastores também!
