Presépios de José Augusto Desde há vários anos que José Augusto, um artista plástico e ceramista aveirense com oficina em São Bernardo, tem por hábito, nesta quadra natalícia, apresentar novos presépios feitos em barro, que para além de peças únicas são também trabalhos artísticos.
José Augusto sublinha que “os coleccionadores preferem os presépios com as figuras feitas em barro vermelho, porque são mais tradicionais aqui em Aveiro”. Mas o artista também faz presépios em que as figuras são pintadas de várias cores e vidradas, outros em que as figuras são monocromáticas mas vidradas. As peças vidradas têm a vantagem de permitirem uma limpeza mais fácil do que as peças em terracota (barro não vidrado), porque, nestas últimas, a pasta fica mais porosa e retém mais as impurezas.
As peças em barro vermelho também são cozidas; as que são vidradas “sofrem duas cozeduras, no caso da faiança. No grés, pode ser só uma cozedura; a vidragem do grés pode ser por salgadura ou por vidro químico”.
A par destes, o artista também tem alguns outros que são reproduzidos por molde, mas que têm acabamentos manuais, nomeadamente no que se refere à pintura, pelo que também podem ser con-sideradas peças únicas, até porque “há sempre pequenas diferenças entre elas. É impossível fazer duas peças iguais quando elas são pintadas à mão”. Apesar disso, estes presépios feitos por molde têm custos inferiores, tornando-se mais acessíveis.
Ainda referentes a esta quadra, José Augusto também tem outras «cenas», para além dos presépios, como a peça que representa a “Fuga para o Egipto”. Também os “Reis magos” podem vir a ser concebidos, ainda que o artista concentre mais o seu trabalho “nas figuras principais do presépio: Nossa Senhora, S. José e o Menino Jesus. Embora, um dia, possa vir a fazer um presépio mais composto”.
Neste momento, os presépios de José Augusto podem ser adquiridos na sua oficina e na loja da Barrica (Associação de Artesãos do Distrito de Aveiro), junto aos “Arcos”.
A crise também já chegou aos presépios, principalmente aos deste tipo, que são peças artísticas únicas e que, por isso mesmo, têm custos superiores aos dos pequenos presépios «made in China», que actualmente invadem o mercado. No entanto, sempre se vende um ou outro presé-pio, até porque também é uma forma de investimento, por-que estes trabalhos são únicos e estão assinados pelo artistas.
Da cerâmica à pintura
José Augusto é um artista que não limita a sua veia criadora aos presépios e outras peças em barro, já que abarca outras modalidades, como a azulejaria e a pintura.
Ainda no que se refere à barrística, o artista está a “fazer figuras que representam profissões, nomeadamente relacionadas com a medicina, a arquitectura, a biologia e a fotografia, porque são também peças muito procuradas para oferta”.
Há ainda inúmeras figuras de santos, com destaque para as que representam Santa Joana e São Gonçalinho. No entanto, as peças que evocam figuras típicas de Aveiro (como o cagaréu, o fogueteiro, o marnoto, o homem do ramo, a peixeira, entre outras) continuam a ter grande procura, tanto pelos locais como por turistas, até porque “a minha paixão é fazer figuras que falem da nossa região”.
Na cerâmica, o artista também tem dedicado alguma atenção aos pratos decorativos, estando a prepara uma segunda série dos pratos alusivos “às brincadeiras de São Gonçalinho”, que deverá sair por alturas das festas do padroeiro do bairro da Beira-mar aveirense.
Painéis de azulejos, com destaque para os destinados a serem colocados em igrejas, é outra das áreas em que José Augusto trabalha. No que se refere aos painéis para igrejas, “alguns são meus, outros são criados pelo Jeremias Bandarra, em que ele faz a maqueta e eu faço a parte cerâmica”.
A pintura em tela “é um passatempo que eu tenho, quando saio da oficina”; o que não impede que José Augusto tenha realizado inúmeros trabalhos, tendo participado em diversas exposições, tanto individuais como colectivas.
Cardoso Ferreira
