Poema Maria,
gosto de olhar para ti na tua humanidade quotidiana,
rapariga e mulher, desconhecida de todos,
mãe atenta, esposa cuidadosa,
mulher semelhante a todas as mulheres
e sempre disponível quando Deus lhe pergunta:
«Onde estás?»
Também gosto de te ver no tímpano das catedrais,
a mulher das doze estrelas,
a Virgem dos ícones com manto de púrpura real.
Mas, com Teresinha do Menino Jesus,
que se exprime sem palavras supérfluas, maravilho-me:
«Ela é mais mãe do que rainha».
Sim, ao pé das três palavras «Mãe de Deus»,
tudo o resto é floreado.
Nunca terei demasiadas horas de silêncio
para contemplar
estas três palavras: «Mãe de Deus.»
Como estas plantas do deserto
que esperam dias e, talvez anos
por uma chuva para germinar,
precisamos de repeti-las
até que o teu Filho as fecunde em nós.
Para mim, esta frase
é soberanamente essencial:
«Mulher, eis o teu Filho; Filho, eis a tua mãe»,
estas últimas palavras que Jesus disse na cruz
são-me hoje ditas:
já realizadas no instante da Anunciação…
Por isso, com a Tradição inteira,
juntando a minha voz à multidão
que cumpriu a tua profecia:
«Sim, doravante, todas as gerações
me chamarão bem-aventurada»
(e, então, ninguém te conhecia),
volto a dizer sem me cansar
a oração dos pecadores e dos santos:
«Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pobres pecadores,
agora e na hora da nossa morte.»
Jacques Loew (1908-1999), frade dominicano francês,
padre-operário
