Fundação Padre Félix, em São Bernardo Em alguns centros urbanos, os voluntários estão a assumir novas tarefas e a inovar na ajuda. Em vez de levarem alimentos, por exemplo, ensinam a cozinhar e economia doméstica. Uma sopa é melhor para a saúde e alimenta mais do que bifes ou doces – e é mais barata.
São Bernardo não é um grande centro urbano, mas, através da Fundação Padre Félix, inova na solidariedade social com iniciativas como a do curso “Cozinha saudável e economia doméstica”, que tem tido edições sucessivas nos últimos anos, dando formação a grupos de 16 ou 17 pessoas.
Já o Curso de Formação Familiar/Parental não educa o estômago, mas os afectos, as relações familiares, a saúde, a disciplina, e destina-se a famílias (pais e filhos) apoiadas pela Fundação.
Estas acções, e ainda passeios para crianças, cursos de socorrismo, conferências ou formação de jovens mães, são contributos para “ajudar a vencer” quem nelas participa.
“Ajudar a vencer” é precisamente o lema desta Fundação criada há quase 19 anos. Na origem está a comemoração dos 25 anos de paroquialidade do Pe Félix nesta freguesia do concelho de Aveiro. A ideia foi criar um “fundo de apoio” aos utentes do Centro Paroquial de São Bernardo (obra social criada pelo sacerdote em 1971). Quando algum utente não podia pagar a mensalidade, a Fundação contribuía. Hoje, porém, os objectivos da Fundação centram-se no apoio a outras situações não cobertas pelos programas habituais de ajuda social. Nos estatutos, como primeiro objectivo, lê-se: “Conceder subsídios às famílias ou pessoas carenciadas economicamente, procurando resolver as suas necessidades”.
A Fundação desenvolve um programa de actividades que podemos qualificar de “preventivas”, como as acima referidas, mas tem as portas abertas para atender pessoas ou instituições (como a PSP) que trazem casos. A técnica social Paula Soares é a responsável por elaborar dossiês dos casos em análise, pelo reencaminhamento dos casos para outras instituições, quando necessário, e pelo acompanhamento “no terreno” das ajudas que são prestadas. Há que ter cuidado com os “profissionais da pedinchice”. Quando se ajuda quem não precisa, pode ficar de fora alguém em grande necessidade. Estes casos acontecem, como refere António Amador, anterior presidente da direcção, num editorial do boletim da Fundação: “Vejamos a notícia sobre um nosso conterrâneo, publicada em 06/06/07 [num jornal da cidade], com o título: “Ajudem-me a dar de comer aos meus filhos”. A Fundação, que sempre ajudou esta família, resolveu a partir de há algum tempo reduzir os apoios por ter chegado à conclusão de que as situações se tinha alterado para melhor e os próprios sinais exteriores induzirem essa melhoria, não se regateando, todavia, a dar o apoio possível e adequado a cada situação. Ora, quem tem vídeo-porteiro, renova janelas, portas e portadas com excelente material de última geração, usa TVCabo, telemóvel e telefone fixo ao mesmo tempo, enfeita pelo Natal a casa com sofisticadas ornamentações de luzes e papás-natal, etc. devia ter algum cuidado ao vitimizar-se com destacados lamentos na comunicação social, pondo em causa a nossa instituição. Quando os recursos são escassos, há que procurar o engenho de uma cautelosa gestão (…)”.
Apoio da Comunidade
A Fundação Padre Félix, nascida no seio da paróquia de São Bernardo, goza de amplo apoio da comunidade paroquial. O P.e Luís Barbosa, pároco, aponta ao Correio do Vouga alguns aspectos desse apoio: os dois ofertórios por ano das Eucaristias; a caminhada de Advento, em que crianças e jovens foram alertados para situações de pobreza e convidados a partilhar bens, que depois a Fundação dirigiu aos necessitados; ou a festa de Natal, promovida pela fundação, especialmente dirigida às famílias apoiadas, mas aberta e com a participação de toda a comunidade.
Importante para o funcionamento da Fundação é igualmente o “grupo sócio-caritativo”. Este grupo de voluntários ajuda em tarefas como a organização de roupas ou na festa de Natal, mas têm outra função estratégica. Representando os diversos lugares de S. Bernardo, estão “localmente atentos às situações de carência, porque nem sempre as pessoas pedem ajuda por vergonha ou medo”, esclarece P.e Luís Barbosa.
A direcção da Fundação é actualmente presidida por Maria Cacilda Marado, que participa ainda nas actividades da instituição dando explicações a alunos com dificuldades. Esta professora aposentada ofereceu à Fundação os lucros de dois livros recentemente publicados (“Retalhos da Minha Infância” e “E sempre o amor”). O mesmo fez Manuel Bolais Mónica, que publicou em 2003 a obra “Sociedade Musical de Santa Cecília. 100 Anos de Historia” e em 2005 “São Bernardo. 50 anos de vida”.
Principais Datas
18 de Agosto de 1988 – Na reunião da Comissão que promove as comemorações dos 25 anos do P.e Félix como pároco de São Bernardo surge a ideia da criação de um “Fundo” de apoio à obra social promovido pelo sacerdote.
7 de Abril 1989 – D. António Marcelino emite o decreto de criação da Fundação Padre Félix. São aprovados os estatutos. Ainda em 1989 é formado o primeiro Conselho Geral, tomam posse os primeiros corpos sociais, e é reconhecida a personalidade jurídica no foro civil pelo Governo Civil.
31 de Agosto de 1993 – A fundação é declarada Pessoa Colectiva de Utilidade Pública.
7 de Agosto de 2002 – O P.e Félix doa a sua casa e quintal à Fundação, para que esta fique com sede própria.
1 de Março de 2003 – É inaugurada a sede da Fundação.
29 de Junho de 2005 – A Fundação integra como parceiro o projecto RIA – Rede de Intervenção de Aveiro.
Junho de 2006 – Sai o primeiro boletim “Ajudar a vencer”, que é também o lema da Fundação.
9 de Julho de 2007 – Maria Cacilda Marado sucede a António Amador de Almeida como presidente da Fundação.
Números
744
número de atendimentos realizados pelo Gabinete de Acção Social em 2006. Destes, 140 estiveram relacionados com o Rendimento Social de Inserção; 404 foram de apoio económico (alimentar: 191; habitação; 65, saúde: 95, etc.); 170 foram de ajudas técnicas (marcação de consultas, empréstimos de equipamentos, ajuda na procura de emprego, etc.). Do total de atendimentos, 56 foram prestados a pessoas não residentes em São Bernardo.
64
milhares de euros gastos em 2006 na ajuda social e nas despesas próprias do funcionamento da Fundação. Esta quantia proveio de protocolos com a Segurança Social (27.814 euros) e com a Câmara Municipal de Aveiro (4.489), da venda de livros e pratos (880), do rendimento do património (12.045) e de campanhas de angariação de fundos (16.237).
1
técnica de serviço social, a tempo inteiro, que coordena os serviços da fundação, atende ou reencaminha os pedidos de ajuda e acompanha os beneficiados com visitas ao domicílio. Os órgãos sociais, em regime de voluntariado, são presididos por Maria Cacilda Marado (presidente da Direcção), Manuel Rodrigues Bolais Mónica (presidente do Conselho Fiscal) e P.e Luís Barbosa (presidente do Conselho Geral – o presidente honorário é P.e Félix).
