Missão da Família na Igreja e no Mundo

Catequeses quaresmais 2007 Educação relacional. “Na família, o ensinamento é ocasional. Quando uma criança mente, faz-se a catequese da verdade… Todos fomos educados ocasionalmente na nossa própria família. Ninguém nos deu uma palestra sobre o respeito, os pobres, a solidariedade”, afirmou D. António Marcelino. Na família, a educação da fé e dos valores é algo natural. “Por osmose”, precisa D. António. “O processo de ensinar é sempre relacional. Ninguém transmite o que não tem”, acrescenta.

Pequena Igreja. A missão da família na Igreja e no Mundo foi o tema em foco na penúltima catequese quaresmal de 2007. D. António partiu da noção de família como “igreja doméstica”, ou “pequena Igreja”, para sublinhar que “é sua missão proporcionar a vivência comunitária alargada, com um estilo de vida próprio dos seus membros, no qual, de modo natural, se exprima o amor mútuo e o projecto comum em formas de acolhimento, respeito, crescimento, abertura aos outros, convivência, testemunho, virtudes humanas diversas que se transmitem ocasionalmente, num processo educativo para a vida presente e futura”.

Famílias “modernaças”. Porque a família é comunidade (é isso que quer dizer “igreja”) com papéis diferenciados e insubstituíveis, D. António criticou as famílias “modernaças”, em que o pai, por sua própria iniciativa, se anula, dizendo que é apenas “irmão mais velho”. Mas louvou as famílias que criam espaços de oração, nem que seja apenas uma “Avé Maria”, e referiu as famílias do movimento de Schoenstatt, que criam nas suas próprias casas um pequeno santuário, um pequeno espaço dedicado à oração. Dão pleno sentido à “igreja doméstica” que são.

A força do associativismo. D. António Marcelino defendeu o associativismo familiar “permanente” e a realização de campanhas “ocasionais” para a promoção e defesa dos direitos familiares. “Hoje, a família que quer ser fiel à sua identidade, tanto no aspecto humano como cristão, bem como aos valores que defende, está socialmente menos protegida pelas leis e pelos ambientes. (…) As formas associativas significam neste tempo uma força interventora, podendo pugnar por serem reconhecidas como parceiros sociais que são ouvidos naquilo que lhes diz respeito e têm direito ao diálogo institucionalizado”. “Hoje, nenhuma instituição, por mais organizada que esteja, consegue desenvolver a sua missão exclusivamente por si própria”, disse.

Novo empenho. As catequeses várias vezes têm tocado na tecla da mudança. Ora a mudança exige criatividade e um novo empenho. “A família tradicional alargada tinha, em si mesma, a sua defesa e apoio. Esta família, sociologicamente, acabou. A nova família nuclear, urbanizada, com expressões e tarefas diversas, pede outra atenção e cuidado. As famílias cristãs devem empenhar-se aqui”.

Última catequese quaresmal

“É a vida em família um caminho de santidade?”

Salão de S. Domingos (à Sé),

2 de Abril, 21h15.