A 20.ª regata ficou marcada pela grande velocidade. Talvez a mais rápida de sempre e sem grandes incidentes
Marco Paulo Silva, da Torreira, com o moliceiro “Ricardo Sérgio”, foi o grande vencedor da regata que ligou a Torreira a Aveiro na tarde de sábado, 18 de Julho. Em segundo lugar ficou o “Lameirense” (de Torrão do Lameiro, Ovar) e em terceiro o “José Miguel” (da Bestida, Murtosa).
O primeiro moliceiro chegou à antiga lota de Aveiro em cerca de 45 minutos. “Foi tudo muito rápido, devido à nortada. Mas a partir da Sacor [depósitos de combustível da Galp, na Gafanha da Nazaré], foi muito difícil, porque estávamos contra o vento”, refere Marco Paulo Silva, pescador da Torreira. “Saí em último lugar mas consegui recuperar. Há dois anos quase ganhava, mas o mastro verde vergava muito”, adianta o vencedor deste ano.
Apesar dos ventos fortes, apenas um dos quinze moliceiros virou. O “Renascer”, de Américo Fernandes Silva, da Torreira, não aguentou a força dos ventos ainda antes da estalagem de São Jacinto. Em contrapartida, este moliceiro ganhou o concurso dos painéis com pinturas sobre a tradicional apanha do moliço e outras mais brejeiras. No entanto, o “prémio brejeirece”, pela primeira vez atribuído pela Associação dos Amigos da Ria e do Moliceiro, que com a Câmara Municipal de Aveiro, organiza a regata, a corrida de bateiras e o concurso de painéis, contemplou o “Lameirense”.
Depois da atribuição dos prémios, que decorreu ao início da tarde de domingo, no Rossio, quando, ao contrário de outros anos, já poucos moliceiros havia no Canal Central, o vencedor da regata disse ao Correio do Vouga estar “muito orgulhoso” por ter participado. “Quanto é que ganhou, com o primeiro prémio na regata e o segundo nos painéis?”, pergunta-lhe o jornalista. “Não sei”, responde Marco Paulo Silva, com o envelope do prémio na mão, ainda por abrir. “Nós não estamos aqui pelo dinheiro. E digo-lhe mais: eu até acho que não devia haver prémio nenhum em dinheiro. Aí é que se via quem está aqui por gosto”, acrescenta.
Este ano, a regata não contou com o apoio do Turismo do Centro, quando costumava contar com a colaboração e financiamento da extinta Rota da Luz, mas atribuiu 300 euros a todos os moliceiros participantes, mais 450 a quem apresentou pinturas novas e, respectivamente, 150 e 200 euros aos vencedores da regata e do concurso de painéis, além de segundos e terceiros prémios.
Jorge Pires Ferreira
