Luigi Giussani (1922-2005) Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação (CL), faleceu terça-feira, 22 de Fevereiro, em Milão. Tinha 82 anos. O funeral, presidido pelo cardeal Ratzinger em nome do Papa, realizou-se na quinta-feira, na Duomo de Milão, com a presença de quase todo o governo italiano, e foi transmitido pela RAI Uno (canal estatal italiano). Na mensagem recebida com palmas pelas cerca de 20 mil pessoas no interior e exterior da catedral, João Paulo II recordou as várias ocasiões em que se encontrou pessoalmente com D. Giussani e confessou admirar “a sua fé ardente, que se traduzia num testemunho cristão capaz de suscitar, especialmente entre os jovens, um acolhimento convicto da mensagem evangélica”.
Na direcção do CL sucede agora D. Juliám Carrón, que evocou assim o fundador: “O teu olhar não sairá de diante dos nossos olhos, esse olhar através do qual nos sentimos vistos por Jesus”.
O padre João Seabra, assistente deste movimento em Portugal, afirmou em declarações à Agência Ecclesia que “morreu um grande santo”. “Sem querermos antecipar o juízo da Igreja, podemos dizer que a modalidade que a santidade tomou em D. Giussani foi a de uma comoção completa diante do acontecimento de Cristo, do Deus feito homem”, disse o pároco de Santos, Lisboa. “Ele conseguiu criar à sua volta um grupo de gente que percebia o Cristianismo não como uma rotina, uma espécie de verdade abstracta, mas como um acontecimento que toca a vida, real”, acrescenta.
A finalidade do CL, presente em 64 países e com cerca de cem mil membros, “é a educação dos seus membros na maturidade cristã e a colaboração na missão da Igreja Católica na sociedade de hoje”. Contudo, o movimento, dentro da própria Igreja, é por vezes visto como “conservador, retrógrado e integralista”, críticas em que Ricardo Saldanha, um dos dirigentes em Portugal, não se revê, porque “esta é uma experiência que se experimenta na própria pele; contagia. Aquilo que nos caracteriza é, antes de mais, uma paixão pelo facto cristão, por uma espiritualidade que é uma busca contínua dos princípios cristãos, olhados à luz de uma experiência pessoal e comunitária”.
1922 – Nasce Luigi Giussani, em Desio, arredores de Milão
1954 – Depois de ordenado padre, e de ter ensinado no seminário, torna-se professor do liceu Berchet (Milão). Cria a Gioventú Studantesca (Juventude Estudantil)
1964 (até 1990) – Dirige a cadeira de Introdução à Teologia da Universidade Católica de Milão
1969 – Aparece o nome actual, Comunhão e Libertação
1982 – O Concelho Pontifício para os Leigos (CFL) aprova a Fraternidade de Comunhão e Libertação
1987 – O CL aparece em Portugal, onde tem actualmente 400 membros (também em Aveiro)
1988 – O CPL aprova a associação eclesial Memores Domini, que congrega membros totalmente dedicados à Igreja
1995 – Luigi Giussani recebe o Prémio Nacional de Cultura Católica (Itália)
2004 – Por ocasião dos 50 anos do movimento, João Paulo II escreve uma longa carta a Giussani. Já havia escrito uma em 2002 (vigésimo aniversário do reconhecimento do CFL)
2005 – (22 Fev.)Luigi Giussani morre de insuficiência circulatória e renal, provocadas por uma grave pneumonia que o tinha atingido nos últimos dias.
