Colaboração dos Leitores De 8 a 11 de Março, reuniram-se, em Marselha, os Grupos Promotores da Europa Ocidental (Área Latina – Portugal, Espanha, França, Bélgica e Itália) do Movimento por um Mundo Melhor, para tratar o tema resultante dos novos desafios da sociedade europeia, de como o Movimento poderá fazer o seu serviço à Igreja, no realizar da sua missão num mundo em descristianização.
A erosão do tecido cristão da Europa, a progressiva perda do sentido religioso da existência, a incapacidade de perceber a presença do outro e o “significado” desta presença, a crise antropológica que tem deprimido o homem debaixo de si próprio, esvaziando-o do seu interior, daquele impulso para a auto-superação e desejo de Absoluto, a crise das relações humanas e o desejo duma redenção global, estabeleceram as premissas para um debate aceso que se prolongou por quatro dias.
Com realismo e audácia, os participantes no encontro puseram ainda em evidência os pontos débeis da resposta cristã à crise de identidade da Europa, evidente numa remoralização e redoutrinação da vida cristã, mais do que na promoção de processos de amadurecimento da vida teologal, que tornarão os cristãos mais fortes e credíveis no dar testemunho da sua fé.
“Assistimos a numerosos esforços para tornar a presença da Igreja Católica – e até de outras igrejas – verdadeiramente evangelizadora e credível”, afirmou um dos grupos de estudo, “mas é evidente uma presença institucional que frequentemente não sustenta o testemunho dos cristãos, mas arrisca substituir-se a ele com a força duma doutrina e duma moral que, numa sociedade pós-moderna, pluralista e desconfiada, não se legitimam mais por si próprias, mas têm necessidade do testemunho “de baixo”, da base, para ser credível”.
Por isso, a pergunta que constituiu o fio condutor de todo o encontro: “Como agir em sinergia, dentro da instituição e com testemunho cristão, para oferecer um serviço à Igreja e ao homem e responder aos novos desafios postos pela mudança do tempo presente”?
“Numa época, na qual nenhuma instituição, religiosa ou não, goza mais do poder duma autolegitimação”, sustentou o Padre Enzo Caruzo, director do Movimento em Itália, “a pergunta não é mais: como convencer os europeus da raiz cristã da sua civilização, mas antes, que modelos de animação são necessários para que sejam postos em acção os necessários processos de ‘conscientização’ e os crentes atinjam plena maturidade duma fé que deve dialogar com as interrogações do homem contemporâneo”?
Sobre a crise dos modelos tradicionais de animação da comunidade, pronunciou-se o Padre Gino Moro, presidente da Fundação Mundo Melhor e duas vezes director geral do Movimento. O “modelo de educação para a fé como instrução acabou”, afirma Moro.
“Acabou, não pela validade perene dos seus conteúdos e dos seus princípios, mas pelo facto de não encontrar mais interlocutores capazes de o interpretar, e mais ainda de o assumir como valor para a própria vida”.
O Padre Pascal Roger, director do Movimento na Bélgica, sublinhou que “grande parte da credibilidade da Igreja joga-se na sua humildade e capacidade de fazer-se companheira de viagem do homem pós moderno e de acolher os seus anseios mais profundos”. Sem isto, o homem não olhará para a Igreja porque não conseguirá entender o sentido da sua presença.
O Padre Moro sublinhou ainda que “enquanto a modernidade conduz a um inevitável ocaso, abre-se aos crentes um tempo extraordinário de testemunho e de acção, para dar a volta a um novo modelo de humanidade já nascente… um novo modelo de homem e mulher e um novo tipo de relacionação humana, que serão a chave para superar a crise enorme que já está a decorrer.
O encontro terminou com a decisão de continuar a busca e o discernimento e ajudar o Movimento a delinear linhas de acção a apresentar ao próximo Cenáculo (a assembleia legislativa do Movimento) que levará à elaboração dos tais novos modelos de animação e ajudar, assim, a missão evangelizadora da Igreja.
Maria do Carmo Pinho, Paróquia de Pardilhó
