Mudança do mundo “agudizou” emergência da mensagem do Concílio Vaticano II

Alerta de D. José Policarpo na homilia da missa do 13 de outubro, em Fátima. Concílio deve ser lido como “mensagem da Igreja para a sociedade atual”.

O cardeal-patriarca de Lisboa disse em Fátima que o mundo mudou nos últimos 50 anos e que essa mudança “só agudizou” a “urgência da mensagem” do II Concílio do Vaticano (1962-1965).

Na peregrinação internacional aniversária de outubro, D. José Policarpo referiu que o último concílio deve ser lido como “mensagem da Igreja para a sociedade atual” e apelou a “revigorar o ardor” da Igreja, tornando-a mais capaz de “anunciar a este mundo” a mensagem cristã.

O patriarca de Lisboa sublinhou, na sua homilia, que os tempos atuais exigem uma “nova evangelização e a renovação da fé”, após lembrar que quando o Papa João XXIII convocou o encontro mundial de bispos católicos “procurava novos caminhos para evangelizar o mundo moderno”.

Perante cerca de 150 mil peregrinos, 27 bispos e 390 padres, o presidente da peregrinação salientou que a Palavra de Deus “comove o coração” e que a isso o Papa João Paulo II chamou “novo ardor da fé”. Aos cristãos, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa pediu que o momento atual leve “a uma maior consciência da sua pertença à Igreja e do seu papel na evangelização”.

“Só é possível celebrar o Concílio com o desejo ardente da renovação da Igreja”, concluiu D. José Policarpo na peregrinação anual do 13 de Outubro, que teve como tema «Recebeste de graça, dai de graça» e serviu também para comemorar os 50 anos do início do II Concílio Vaticano e a abertura nacional do Ano da Fé em Portugal.

Antes do final da missa, que encerrou o programa das celebrações, foi exibido em dois ecrãs gigantes colocados no recinto de oração do Santuário de Fátima um filme evocativo da abertura do Concílio, a 11 de outubro de 1962.

D. José Policarpo diz que “não se resolve nada contestando”

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo disse aos jornalistas que as manifestações resultam na “corrosão” da democracia em Portugal, criticando o recurso à “rua” para definir o rumo do país. “O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática, da nossa constituição e do nosso sistema constitucional”, afirmou na conferência de imprensa antes da peregrinação internacional aniversária de outubro. “Até que ponto construímos saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar?”, questionou ainda.

O presidente da CEP sustentou que “não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações” ou “com uma revolução”, uma vez que os atuais problemas foram criados “ao longo de muito tempo”, lamentando a “reação coletiva a este momento nacional, que dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar o governo”.

D. José Policarpo alertou também que é preocupante observar que “uma democracia, que se define constitucionalmente como democracia representativa, na qual as soluções alternativas têm um lugar próprio para serem apresentadas, neste momento, está na rua”.

Na conferência de imprensa, o patriarca de Lisboa defendeu ainda que “a arte política é embrulhar esse caminho”, promovendo a “equidade”, se possível, protegendo os mais desfavorecidos e que, nesse capítulo, “a Igreja tem uma palavra”. No final, afirmou que gostaria que a sua voz não fosse “mais uma entre a confusão”.

…e pede compromisso dos cristãos em prol da Igreja

O cardeal-patriarca de Lisboa disse na vigília do 13 de Outubro, em Fátima, que os cristãos andam “distraídos” e pediu um maior compromisso em prol da Igreja, numa cerimónia que marca o início do Ano da Fé em Portugal.

“Andamos distraídos demais, mas Deus com o seu amor que nos envolve e protege está sempre” no meio do povo, realçou D. José Policarpo, após a procissão de velas.

Este responsável declarou que “é preciso amar a igreja” e que Maria é um “exemplo desse amor”. Frisou também que Maria é “uma crente como os cristãos, mas ouviu a palavra de Deus”.