Foi apresentado ao País o programa e a estratégia do Debate Nacional sobre a Educação – uma iniciativa da Assembleia da República, cujo desenvolvimento foi cometido ao Conselho Nacional da Educação.
É fundamental trazer a Educação “para a frente do nosso universo de preocupações”, com o objectivo fundamental de assegurar “a promoção do desenvolvimento humano, a formação de cidadãos mais autónomos, livres, empreendedores, solidários e responsáveis”. É isso que se pretende com a iniciativa.
E essa tem de ser a preocupação e o empenho de toda a sociedade, protagonizado por todas as forças sociais, tendo em conta que duas comunidades educativas têm relevância fundamental nessa tarefa: a família e a escola.
E não nos iludamos: a motivar alguém, terá de ser o esforço de dar condições à família para que retome o seu irrenunciável papel primordial nesta tarefa. A escola, as instituições de ensino, sobre as quais se despejaram, por necessidade e por omissão, demasiados encargos educativos, não subsistem – como úteis – se se fecharem em si mesmas; como também se os actores sociais se afastarem, “pensando que lhes não cabe qualquer responsabilidade na vida e resultado das escolas”.
É um tremendo desafio que está lançado a toda a sociedade e a todo o cidadão português! Até porque – hoje é incontestável – o sucesso educativo está fortemente condicionado “pelos contextos sociais e culturais em que a missão se cumpre” e que todos nós criamos.
Estamos interessados em contribuir para que o debate ajude a encontrar caminhos de construção de uma cidadania plena, isto é, de pessoas não apenas escolarizadas ou com graus académicos, mas com valores, com responsabilidade, com autonomia, com consciência social. E não apenas em vencer um “atraso comparativo” em relação aos parceiros europeus, face a uma preparação científica e técnica para o mercado de trabalho.
Estamos interessados em dar apoio a um envolvimento de todos os parceiros e forças sociais, para que se cultive a corresponsabilidade e cresça a consciência de participação na prossecução do bem comum, onde os pontos de acordo se concertem com as legítimas diversidades.
Vamos empenhar-nos na busca de princípios inspiradores e linhas operativas que permitam um sadio caminho de progresso solidário, pela expressão da livre escolha de aprender e ensinar, como um grande estímulo de inclusão e cooperação.
Não há educação sem intenção. A que nos move é a de dar sentido à vida da pessoa humana, fazer desabrochar a sua essência de ser-em-relação que conduza naturalmente ao compromisso social, proporcionar os meios para que cada um renda o seu melhor na construção do bem comum, realizado no estado de vida, na profissão, no enquadramento social.
