Devido às novas tecnologias, que permitem fazer rapidamente o que antes demorava imenso tempo – por exemplo, uma viagem que durava oito horas faz-se agora em três, o que dá um ganho de cinco horas; antes, uma carta demorava a escrever o tempo que agora basta para escrever vários e-mails – deveríamos nadar em tempo. Ora, o que se passa é que todos nos queixamos de falta de tempo: ninguém tem tempo para nada, é o que se ouve a cada canto.
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 19-05-2012
Ainda há muita gente que ama verdadeiramente Portugal. Ama-o, não por ser grande e próspero, não pelas suas obras e feitos, não omitindo fraquezas e misérias. Ama-o por ser o que é. Ama-o por ser nosso. Ama-o por ser aquilo que somos. (…) Acima de tudo, como todos os humanos, anseia ser amado. Amado precisamente como é. Esta é a única atitude séria: amar o País por ele ser nosso. O único que temos. Sem ele nada somos. Amá-lo com tudo o que tem de bom, e é muito, e o que fez de mal, que deve ser mais. Felizmente muita gente ama Portugal.
João César das Neves
Diário de Notícias, 21-05-2012
Não basta exaltar a qualidade da gastronomia, do clima do sol e do mar, do desporto ou da cultura. É preciso mais do que isso. É preciso acreditar que Portugal tem futuro, para além das desbotadas glórias do passado e que esse futuro assenta na modernidade, no sentido estratégico, na ética republicana, numa aposta persistente na educação e na transparência das instituições, já que, sem isso, todas as esperanças se tornam efémeras e insustentáveis.
José Jorge Letria
Público, 21-05-2012
Não se pode exigir a um manifesto ecuménico que apresente um programa de ação. Mas sem ele como vencer o enjoo de tantos colóquios, debates, declarações, conversas, comentários de comentários, reuniões de reuniões e notícias de uma solução para breve que nunca chega?
Bento Domingues
Público, 20-05-2012
