Todos sabemos que o país está na “unidade de cuidados intensivos”, ligado à máquina da ajuda externa para sobreviver. Todos concordamos que temos uma crise grave e fundamental, que exige medidas profundas. Mas, logo a seguir a este consenso, grande quantidade dos analistas envereda por uma ilusão cómoda, para evitar enfrentar a realidade. Muita gente está plenamente convencida que a crise se deve a um punhado de maus (corruptos, incompetentes, esbanjadores) e, pior, que basta eliminá-los para tudo ficar normal. Nas atuais circunstâncias esta fantasia é irresponsabilidade criminosa. Num momento tão decisivo e doloroso, acreditar em tolices dessas só aumenta o sofrimento de tantos, prejudicando a urgente solução do problema.
João César das Neves
Diário de Notícias, 21-01-2013
Portugal apoia a intervenção francesa no Mali. Não deverá enviar tropas como para o Afeganistão, mas apenas ajudar a formar os militares malianos. O resto da Europa pouco mais prometeu à França, mas se esta tem obrigações por ser a antiga potência colonial, aquilo que se passar no Sara vai trazer consequências a todos.
Leonídio Paulo Ferreira
Diário de Notícias, 21-01-2013
O dogma português no sistema de pensões, na educação e na saúde é tipicamente napoleónico: o Estado central define o que devem ser as prestações sociais, e ao mesmo tempo atua como provedor de serviços e como regulador desses serviços. Ou seja, ocupa todas as funções e, idealmente, comanda tudo a partir do Terreiro do Paço. Não tinha de ser assim, não tem de ser assim e dificilmente teremos, no futuro, um Estado social sustentável se mantivermos este modelo.
José Manuel Fernandes
Público, 18-01-2013
O Vaticano II, iniciativa de um papa que tinha os olhos postos no mundo em transformação e no aggiornamento da Igreja, recuperou e alargou a geografia da esperança. Como e porquê se perdeu este impulso?
Bento Domingues
Público, 20-01-2013
