Colaboração dos leitores Quatro temas para uma realidade: Vida a dois
Como? De que maneira? Porquê? Para quê?
Utilizando linguagem corrente e que a gente jovem domina, tudo começa no HOT, passa depois ao LIGHT e por fim ao EMPTY.
Explico melhor:
Os jovens encontram-se, encantam-se, seduzem e deixam-se seduzir, mal falam e acabam no sexo pelo sexo. É HOT (quente).
Vem a seguir o lado LIGHT (leve) – muito pouco diálogo (dá trabalho), festas, concertos, noitadas, barulho, ruído (não dá para conversar, dizem). Será estratégia ou problemas de marketing? Menos conversa, mais bebida. Quem lucra?
Globalização de frases e sentimentos: “Minha querida/o, meu amor, meu bem”… Tudo descartável; tudo e todos no mesmo saco (dá jeito e não há o perigo de esquecer nomes…).
Nunca os sentimentos foram tão vulgarizados, explorados, minimizados. A vida deixou de ter o encanto do inesperado, do verdadeiro, do maravilhoso.
Passa-se depois à união de facto, porque os compromissos não são para toda a vida. Se não “dá”, parte-se para outra. Mais uma vez o “descarte”.
No entanto, há os que assumem uma relação mais séria, têm óptimas intenções, com ou sem convicções religiosas (independentemente do credo que dizem professar), casam pelo civil. Acreditam que vai durar e que um papel assinado ainda faz a diferença.
Para os cristãos baptizados que assim o desejam e para os que querem casar pela Igreja com disparidade de culto, há o Sacramento do Matrimónio.
Mas quantos matrimónios não são apenas e só uma fachada? É mais bonito, o padre fala bem, há órgão, violino ou coro, arranjos florais dispendiosos e lindas fatiotas!
É um dia importante, eu sei, mas onde encaixar o sacramento?
Muitos desses matrimónios são nulos, sim NULOS, disse bem, porque um grande número de noivos chega ao altar sem intenção de perpetuar o sacramento. “Se não dá, paciência. Abre-se outra porta”.
E assim, de porta em porta, de janela em janela, se vai passando a vida, sem metas, com ligeireza, aos tropeções.
É evidente que estamos a chegar ao EMPTY (vazio), ao desgaste, à desilusão.
Por culpa de quem? Da sociedade, da família, de nós próprios que não quisemos aprofundar o verdadeiro sentido da existência?
O homem não foi criado para viver só. Mas no meio de tanta confusão, quem quererá assumir compromissos?
Dá trabalho e hoje tudo se quer rápido, eficaz, rentável e sobretudo descartável… Assim, ninguém terá que assumir seja o que for.
Uma palavra para os que acreditam no amor abençoado pelo sacramento do matrimónio e para todos os outros – porque todos são filhos de Deus: muito diálogo (é fundamental), muito espírito de humor, de doação (não submissão, nem despersonalização). Ninguém tem que impor nada a ninguém.
Urge mudar mentalidades, recuperar o sentido da vida, da família, do todo que somos nós.
Uma vida a dois tem que ter o encanto dum primeiro encontro, tem que ser um namoro permanente, uma descoberta e aceitação do outro, o seduzir e deixar-se seduzir, mas sobretudo AMAR.
NÃO HÁ “PECADO” MAIOR DO QUE AMAR SEM AMOR.
Maria Teresa Domingues
