Não é magia, é ciência

Até 27 de Novembro, a Semana Aberta da Ciência e da Tecnologia leva à Universidade de Aveiro (UA) milhares de jovens para observar, experimentar e intervir em mais de uma centena de actividades

Como foi possível martelar um prego na madeira com uma banana? Por que é um balão, sem qualquer furo, num instante está cheio de ar, no instante seguinte fica enrugado como se estivesse vazio e depois volta lentamente ao normal? Por que é que as bailarinas, quando rodopiam, ora abrem, ora fecham os braços? Será apenas por uma questão estética?

As duas primeiras questões têm no azoto líquido um denominador comum e foram algumas das experiências que alunos e professores da UA fizeram para as centenas de alunos, principalmente do secundário Departamento de Física, no início da Semana da Ciência e da Tecnologia. O azoto (gás que constitui a maior parte do ar que respiramos), à temperatura de 190 graus negativos, fica líquido e congela tudo o que nele é mergulhado. Por isso o ar dentro do balão diminui de densidade, como se desaparecesse, e a banana fica como uma pedra. Até serve para martelar.

Vanessa Maia, 15 anos, ficou impressionada “com as flores que se quebravam como se fossem de vidro”, depois de introduzidas em azoto líquido, e a seguir, sentada numa cadeira de assento giratório, com uns pesos na mão, pôde experimentar que as bailarinas abrem os braços para perder velocidade, e fecham-nos para rodopiarem mais depressa. Como esta jovem de Oliveira do Bairro, cerca de 5000 mil estudantes descobrem, durante a 6ª Semana Aberta da Ciência e da Tecnologia, que tudo o que parece magia é, afinal, ciência.

A UA oferece 105 actividades diferentes, que obtiveram mais de 13 500 inscrições, um recorde, desde que em 2000 a UA abriu portas. “Nesse ano”, conta Ana Bela Martins, “trouxemos astronautas russos a UA; agora queremos mostrar, de um ponto de vista lúdico, que a ciência está nas coisas mais comezinhas do nosso dia-a-dia”. A directora das Relações Externas da UA considera mostrar os “bons laboratórios, bons alunos e professores, boas condições” é uma forma de “convidar os alunos a escolherem a nossa universidade”.

Ciência para todos

Os alunos do ensino básico e secundário são os grandes destinatários da semana dedicada à Ciência e Tecnologia. Mas há actividades para todos. O Correio do Vouga destaca algumas, todas de entrada livre e sem necessidade de inscrição.

* Concerto para a Popularização da Ciência. 24 de Nov. 21h30. Fábrica Centro Ciência Viva (antigas moagens). Que a ciência faz parte da vida e se mistura com sentimentos e emoções numa alquimia tantas vezes explosiva, já não é novidade para ninguém. Muitos são os poetas, como António Gedeão, que escreveram textos de onde a ciência brota como se fosse amor ou tristeza. Este concerto, com o Orfeão Universitário de Aveiro e o Coro Misto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, retoma alguns desse textos.

* Folhas, flores e frutos. Até 25 Nov., no Dep. de Biologia. A partir do levantamento do Parque de Serralves (Porto), esta exposição encerra imagens de grande qualidade que ampliam a beleza presente nas paisagens urbanas, que muitas vezes não temos tempo de contemplar.

* Feira dos Minerais. Até 24 Nov., no Complexo Pedagógico. Para incentivar o coleccionismo que tem sido, desde sempre, um instrumento auxiliar da investigação científica.