Uma pedrada por semana “Vive-se a época do vazio e do fragmento”. Diz quem sabe e se preocupa com o presente e o futuro das pessoas e do país.
A linguagem de muita gente nova, que até já vai entrando nos menos novos pensando que assim são mais modernos, cativantes e cativadores, parece denunciar o vazio cultural e moral das suas vidas e a opção pelo mais fácil.
Alguns pensam que é moda que passa. Talvez. Mas, para já, denuncia a pobreza de quem não lê e cede ao mais fácil, o descuido de se aprender a dizer e a expressar, de modo normal e significativo, a banalização da comunicação que, por si, deve ser construtora de vida e enriquecedora de saber mútuo.
É verdade que sempre houve, nuns tempos mais que noutros, a introdução na linguagem corrente, e até na erudita, de neologismos ou de novos termos, originários de outras línguas ou fruto de investigação científica. O que está a acontecer não é apenas isto, mas preocupação de meter na linguagem do dia a dia, palavras inglesas, por exemplo, das quais temos correspondentes na nossa língua. Quem não mete uma expressão inglesa, antes era francesa, na conversa ou na escrita, não é erudito nem sábio. Mas escreve-se nos jornais e fala-se na televisão para toda a gente ou só para pretensos eruditos?
Aos mais modernaços do burgo basta-lhes o bué e o népia e por aí. Nem mais e quem não sabe seja humilde e pergunte, porque o dicionário, por enquanto, ainda não diz tudo….
António Marcelino
