Olhos na Rua O povo diz, com a sua sabedoria, que nenhuma pessoa séria perde tempo a levantar a sua própria estátua. Há quem não pense assim e aproveite o seu tempo de poleiro para ir erguendo pedestal de honras próprias. Acaba sempre por vir a saborear o fel dos sonhos desfeitos e o amargo dos projectos sem sentido de bem comum.
O discurso político faz-nos pensar nas ilusões insensatas que por aí campeiam. Há gente a sonhar com a sua estátua e por isso lança, com gáudio, mais uma pedrada sobre o leão ferido e meio morto. Gente que já reparte o pão que ainda nem sequer entrou no forno, que já reparte pelouros de um governo que ainda não ganhou, que já fala de vitória sem que antes tenha passado pelo crivo exigente de as merecer. Somos peritos em falar de triunfos sem realizar trabalhos. Porém, a vida mais nos mostra o caminho a andar do que as garantias antecipadas de êxito.
Faz lembrar a insensatez de quem grita ansioso que desça depressa a guilhotina sobre a cabeça do condenado, esquecendo-se de quem assim deseja a morte do adversário, já está a subir apressado para o mesmo cadafalso. A guilhotina virá a seu tempo.
