Colaboração dos Leitores Parece que, para os tempos mais próximos, se acabaram as eleições. E ainda bem. As campanhas eleitorais não primaram pela elevação e ficaram-se, de um modo, geral, no remoque, nas insinuações quando não na calúnia gratuita.
Propostas para sair da grave crise em que nos encontramos ficaram diluídas em discursos fastidiosos e balofos.
Uns prometeram, de novo, o que nunca até aqui cumpriram, isto é deram-nos mais do mesmo; outros prometeram, revestindo as suas palavras de uma certa sinceridade, esquecendo que o que os esperava podia ser muito pior do que pensavam, impedindo-os de cumprir; outros, serviram o discurso da novidade, sim porque prometer mexer em interesses instalados é uma novidade, cá para os nossos lados; outros ofereceram soluções, a que chamo «milagrosas», uma vez que já foram testadas noutros países, sem sucesso – só quando abandonaram esses caminhos, os povos começaram a levantar a cabeça; e assim sempre…
E nós, povo, olhamos estupefactos para tudo isto e atónitos ouvimos todos dizer em gíria de futebol – ganhamos! Será que ao menos ganharam juízo e não nos vão meter em novas embrulhadas como as que temos tido até agora?
Olhamos para a Educação e é o que se sabe e muito fica por saber; olhamos para a Justiça e pasmamos e ficamos envergonhados, quando nos comparamos com os outros países, onde a Justiça é célere e «cega» (mas mesmo cega); olhamos para a Segurança e cada vez temos mais medo, de falar para não perder o emprego, de sair à rua para não sermos assaltados à luz do dia; olhamos para a Saúde e notamos que ela própria está doente e que eu saiba “um cego não pode guiar outro cego” e assim quem, doente a procura, ainda fica mais doente – esperar meses por uma operação que salva, em detrimento da urgência para intervenções que matam, como os abortos, é revoltante e intolerável.
Na Economia, nem quero falar – qualquer dia há mais desempregados que gente no activo! É uma hipérbole de linguagem, mas com os valores galopantes do número de desempregados ou sub-empregados, as coisas caminham mal e parece que ninguém dá por isso.
Apesar das dificuldades que se avizinham na governação, o que vemos nós? Todos se esgadanham para arranjar um lugar. É caso para perguntar: será assim tão mau como dizem ou estão a enganar-nos e tudo corre numa boa? Oxalá fosse.
Maria Fernanda Barroca
