A Comunidade Internacional alheia-se ou acomoda-se às situações das injustiças mais gritantes. Possivelmente, interesses ocultos, negócios chorudos travam a possibilidade de se erguerem vozes de protesto, de se desencadearem ações de pressão ou mesmo punitivas, em relação a regimes e poderes instituídos que fazem tábua rasa dos acontecimentos mais atrozes que ocorrem sob o seu impávido olhar ou, pior que isso, por sua iniciativa.
Prosseguem os massacres na Síria, são quase diárias as chacinas de cristãos na Nigéria, não se pode ser portador do menor sinal de cristão no Paquistão, na Índia vive-se o receio permanente de uma perseguição destruidora… Uma esteira de violações permanentes dos direitos fundamentais das pessoas e minorias, ante a passividade das nações ditas civilizadas.
Os dramas humanitários sucedem-se: foi o do Afeganistão, foi e é o Sudão do Sul, agora recrudesce o do Iémen, onde a quase totalidade dos treze milhões de crianças já sofreu violências, cerca de 58% sofrem anomalias de desenvolvimento por causa da desnutrição, com um milhão delas em estágio de desnutrição e um quarto em risco de morte.
Não basta a ajuda de alguns países, se bem que, em circunstâncias de emergência, ela se torna indispensável. É que as possibilidades de a fazer chegar às populações sofre, não raro, a obstrução das forças em conflito. Mais do que isso: é preciso instaurar a cultura da vigilância, a consciência da solidariedade, o zelo do respeito pela vida, pela liberdade de crença, pela autonomia de cultura, por parte dos poderes instituídos, em caminho de cultura democrática.
Muitos o têm dito e creio que está à vista de toda a gente: as Nações Unidas e os seus órgãos têm de ser profundamente remodelados. Alguns deles, hoje, em vez de protegerem indivíduos e grupos, funcionam como forças de bloqueio às exigências a impor aos governos, por razões ideológicas ou por interesses de compadrio, tolhendo, desse modo, uma justa e exemplar intervenção.
É verdade que as estruturas não resolverão tudo. Importa que a barbárie dê lugar, no coração humano, à consideração da centralidade da pessoa nos processos políticos e sociais, ao reconhecimento dos outros e respeito pela diferença, ao gosto de viver e progredir em conjunto, com o espírito liberto de fanatismos ou radicalismos, religiosos ou ideológicos.
A verdadeira paz passa pelo coração da pessoa humana, como o verdadeiro terrorismo nasceu do rancor, do ódio fanático inculcado em emoções e exaltações irracionais no fundo do mesmo coração humano. O concerto das nações só tem um caminho de futuro: tomar como ideário e desencadear energias e sinergias para semear a civilização do amor em cada ser humano, em cada povo!
