Novo documento sobre os movimentos e a Igreja apela à “comunhão” sem “confrontações estéreis”

Cardeal Gerhard Muller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé
Cardeal Gerhard Muller,
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

Carta «Iuvenescit Ecclesia» apresentada ontem pela Santa Sé. “A grande capacidade agregadora” dos movimentos é “prova” de que a Igreja Católica cresce pela “atratividade”.

 

O Vaticano apresentou em conferência de imprensa a nova carta ‘Iuvenescit Ecclesia’, sobre os vários movimentos de vida cristã existentes dentro da Igreja Católica. Durante o evento, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Ludwig Müller salientou que o principal objetivo do documento é refletir sobre o modo como “as novas agregações cristãs podem tomar parte na vida e no esforço missionário de toda a Igreja”.
Na sua intervenção, o cardeal alemão realçou que “qualquer instituição que quer permanecer na História” deve saber “renovar-se” sem contudo “perder a sua identidade”. Nesse sentido, o responsável católico destacou “a capacidade do Espirito Santo em rejuvenescer a Igreja, e o contributo que pode ser dado por todos quantos o acolhem” em seu coração.
Citando a nova carta, D. Gerhard Müller referiu que “a grande capacidade agregadora” revelada pelos movimentos “é uma prova significativa de que a Igreja Católica não cresce através do proselitismo mas pela sua atratividade”.
A propósito disto, recordou a importância dada aos novos movimentos e agregações eclesiais a seguir ao Concílio Vaticano II, “sobretudo junto das comunidades que necessitavam de uma nova evangelização”. No entanto, “para todas estas agregações eclesiais”, chegou “o momento de buscar a maturidade”.
O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé destacou a necessidade de apostar numa “ordenada comunhão, relação e sinergia”, sem “confrontações estéreis ou justaposições”. D. Gerhard Müller frisou ainda a importância de uma relação entre “a hierarquia” católica e os vários “carismas” que contribua para “um renovado impulso missionário” e para “uma conversão pastoral” da Igreja que “continuamente” tem sido defendida pelo Papa Francisco. “Não é lícito contrapor a uma ‘Igreja do Espírito’ uma ‘Igreja Institucional’, porque os dons hierárquicos e carismáticos estão sempre implicados um no outro”, concluiu o cardeal alemão.
A apresentação da carta ‘Iuvenescit Ecclesia’, que em português pode ser traduzida como “Rejuvenesce Igreja”, contou também com a participação do prefeito para a Congregação dos Bispos, cardeal Marc Ouellet. O prelado canadiano sustentou que “apesar das tensões inerentes” à integração dos vários movimentos e carismas na Igreja, “as vantagens têm-se revelado muito maiores do que as dificuldades”. E “se alguém ainda duvidava da relevância da dimensão carismática na Igreja”, basta “atentar no facto, de 50 anos depois do Concílio Vaticano II, o Espirito Santo e os cardeais terem escolhido um Papa vindo do âmbito carismático”, acrescentou D. Marc Ouellet, recordando a ligação de Francisco à Companhia de Jesus.
Ag. Ecclesia