Novo reitor quer uma UA mais internacional

Novo reitor da Universidade de Aveiro (UA) quer uma instituição que combata debilidades e ameaças. Um dos grandes objectivos é a “posição de grande destaque internacional em pelo menos duas áreas”

Manuel Assunção e a sua equipa de cinco vice-reitores e cinco pró-reitores tomaram posse no dia 22 de Fevereiro, no meio de diversos aplausos de agradecimento à reitora cessante. Dela afirmou o novo reitor no final do seu discurso: “À professora Maria Helena Nazaré, que hoje cessa funções, deve a UA, em particular, a sua saudável situação financeira e um prestígio fora de portas nunca antes alcançado”. “Possa eu ser digno de cada um deles”, disse, referindo-se também aos outros reitores que o antecederam na liderança da UA.

O sétimo reitor desta instituição criada em 1973 é o primeiro eleito com a UA já em regime de fundação pública de direito privado e com um contrato-programa a cinco anos assinado com o governo.

No discurso de tomada de posse para um mandato de quatro anos, Manuel Assunção comprometeu-se a “manter a UA entre as melhores universidades portuguesas, consolidar a sua situação de liderança na investigação e atingir a posição de grande destaque internacional em pelo menos duas áreas; colocar a UA no topo das universidades portuguesas no que respeita à cooperação com o exterior, à valorização social e económica do conhecimento e enquanto catalisador do desenvolvimento e da inovação; e fazer dela uma instituição onde a componente internacional seja um elemento natural em todas as actividades centrais”.

Prometeu, por outro lado, combater “debilidades” e “ameaças”, que enumerou: a complexidade da articulação entre os níveis central e departamental; o deficiente sistema de garantia de qualidade; a ausência de indicadores de gestão e de planeamento estratégico; o afastamento entre investigação e ensino; o insucesso escolar; a pouca ligação ao tecido produtivo; a deficiente aplicação do protocolo de Bolonha. Referiu ainda que é necessário aumentar a percentagem de alunos em pós-graduação e contribuir “através da inovação a vários níveis, para melhores desempenhos das empresas”.

Manuel Assunção traçou para a UA um caminho “de excelência” que se deve traduzir na “formação de alunos excelentes em todos os ciclos”, “no registo de marcas e patentes”, “na criação de novas empresas”, “no impacto no desenvolvimento regional”, em “profissionais que façam a diferença”, na presença “em redes nacionais e internacionais” e na influência da “definição de políticas públicas”.

Depois de dirigir a palavra aos funcionários não docentes, aos estudantes e aos antigos alunos – “os melhores embaixadores da UA” – disse ser “reitor de todos” e contar com o apoio de todos os parceiros: “região, empresas, instituições congéneres e outras, nacionais ou de países terceiros”. Muitos desses parceiros e a região estavam representados na assembleia, destacando-se os reitores de outras universidades e escolas, os autarcas, o Governador Civil, o Bispo de Aveiro e diversos empresários.

Jorge Pires Ferreira

Sétimo reitor da UA

Manuel António Assunção nasceu em Sousel (distrito de Portalegre), em 1952. É licenciado em Física pela Universidade de Lisboa, doutorado pela Universidade de Warwick (Reino Unido), professor no Departamento de Física da UA, investigador do laboratório I3N e autor do livro “Introdução à Física Quântica e Estatística”. Foi presidente do Conselho Pedagógico da UA e fez parte das equipas dos três anteriores reitores. Em anos mais recentes tem sido a face da UA na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), no estabelecimento do Parque de Ciência e Inovação e na Orquestra Filarmonia das Beiras, de que é presidente.

É o sétimo reitor da UA, depois de Victor Manuel Simões Gil (1973 a 1978), José Ernesto de Mesquita Rodrigues (1978 a 1986), Joaquim Renato Ferreira Araújo (1986 a 1994), Júlio Domingos Pedrosa da Luz de Jesus (1994 a 2001), Maria Isabel Lobo de Alarcão e Silva Tavares (2001-2002) e Maria Helena Nazaré (2002-2010).

Ou se enfrenta a mudança ou a factura será “extremamente elevada”

“Vivemos numa época de grandes, grandes dificuldades. Ou temos a dimensão para fazer face a elas ou a factura será extremamente elevada. A universidade vai ter de redefinir a sua missão. O que pretende fazer o futuro. Quais os custos que vai ter para preparar os jovens para o mundo. Estar aberta ao debate de ideias. (…) Recolher fundos próprios sem estar à espera que o Estado contribua. Receber receitas através de ofertas à sociedade de bens e serviços. (…) Todos vão ter de trabalhar mais horas. Não é utopia é a realidade dos factos. Espero que o Sr. Reitor que hoje vai ser empossado tenha isto em conta”. Quem o afirmou foi Alexandre Soares dos Santos, presidente do Conselho Geral da UA, reputado presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins (detentor de cadeias de supermercados).

Soares dos Santos disse ter estranhado não haver “avaliação de mérito” dos que trabalham na UA – descobriu-o quando quis analisar o percurso dos diferentes candidatos a reitor. “Isto tem de acabar. A avaliação faz parte de todos nós”, disse. Prometeu a cooperação do Conselho Geral e concluiu, dirigindo-se ao reitor que a seguir tomaria posse: “Que Deus o acompanhe, para o bem desta universidade e deste país”.