É verdade! O amor transforma as tristezas em alegria profunda, transforma os preconceitos em reconhecimento de verdadeira dignidade, educa os sentimentos e atitudes, supre deficiências, dá olhos novos…
Ele era pai e médico. A constatação de que a nascitura seria portadora de deficiência perturbou e entristeceu. Mas não venceu! Afinal, aquela criança seria diferente, mas tinha a mesma dignidade das demais. A vida transformou-se para a acolher. A alegria de verificar o seu crescimento, a sua felicidade, mesmo o seu enquadramento social, superou todas as exigências que a adaptação reclamou.
E aquela mãe que se multiplica em criatividade para dar à sua pequenita a possibilidade de atingir níveis de desenvolvimento satisfatórios, desde o exercício físico, o divertimento, aos exercícios intelectuais?… E o jovem que manifesta dotes de predilecção (à mistura com clara capacidade de memória), correspondidos tão carinhosamente pela actriz que lhe faz chegar o seu autógrafo?… E as colegas da pequena, que com ela travam uma relação normal, reconhecendo que tem limites – é diferente! – mas também inegáveis capacidades?…
É um facto que a vida não se rege apenas pela razão. São muitas as questões que a ultrapassam. E que encontram perfeita resolução pelo mundo dos afectos, os quais se tornam a prova irrefutável de horizontes bem mais amplos na vida humana. Nem sequer são precisos ambientes especiais, para dar visibilidade a uma educação inclusiva. Importa, isso sim, é que haja atitudes de plena aceitação e de imaginativo trato inclusivo. A professora, que se assusta num primeiro momento de contacto com a realidade, é aquela que exulta com a solidariedade da turma no lidar com a companheira diferente. O que fez isto?… O amor à vida, o reconhecimento da vida!
A vida acolhida transforma as vidas. O acolhimento é esse mundo das razões do coração, que ultrapassam os motivos da razão. Até a manequim confessa que a gestação e o nascimento do filho transformaram, por completo, as suas relações e alteraram mesmo, substancialmente, o leque das suas preocupações fundamentais.
Convida-nos o Santo Padre a que esta Quaresma seja para nós uma experiência renovada do amor de Deus, como fonte inexaurível e imparável de entusiasmo para nos darmos ao próximo, sobretudo o mais sofredor e necessitado, em combate persistente contra qualquer forma de desprezo pela vida e de exploração da pessoa humana, em luta constante para aliviar os dramas da solidão e do abandono de tantos. O amor transforma!
