O bispo, construtor da paz

Ressoam ainda aos nossos ouvidos os acordes do cântico anunciador da “Paz aos Homens”; a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz continua também a ser ainda lida e comentada… Razão para que volte à missão do Bispo, como profeta da justiça e construtor da paz.

Os nossos dias oscilam continuamente entre esperançosas auroras de paz e crepúsculos carregados de tensões e violências. “Em muitas regiões do mundo, a terra mais parece um paiol, pronto a explodir, causando na família humana enormes sofrimentos”. (PG 67). A fragilidade da natureza humana tem nesta perplexidade uma das suas mais visíveis expressões.

“Nesta situação, a Igreja continua a anunciar a paz de Cristo, que, no sermão da montanha, proclamou bem-aventurados os «pacificadores» (Mt.5,9). A paz é uma responsabilidade universal, que passa através de mil e um actos humildes da vida de cada dia. Ela aguarda os seus profetas e construtores, que não podem faltar, antes de mais nada nas comunidades eclesiais, cujo pastor é o Bispo. A exemplo de Jesus, que veio para anunciar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor (cf. Lc 4,16-21), ele sempre estará pronto a mostrar que a esperança cristã está intimamente unida ao zelo pela promoção integral do homem e da sociedade, como ensina a doutrina social da Igreja”. (PG 67).

O pensamento sinodal da exortação apostólica reafirma a missão de pastor, que confere ao Bispo a responsabilidade de ser o primeiro a suscitar a coragem profética da comunidade cristã, reafirmando, todavia, que ele há-de procurar “provocar” a todos, e para uma profecia eficaz, dos pequenos gestos e acções do quotidiano.

A referência fundamental são as pegadas de Jesus, num anúncio que se transforme em contributo para a libertação dos oprimidos e ano de graça para todos. Sempre insistindo na certeza de que não há possibilidade de semear a esperança cristã sem efectivo zelo pelo crescimento integral da pessoa humana e compromisso por um desenvolvimento da sociedade de cariz fraterno.

A viver com o seu povo, o Bispo pode estar no meio de situações de conflito, mesmo de conflito armado. A profecia, nesse caso, passa pela coragem de conciliar a exortação a fazer valer os direitos com a ousadia de pôr de parte a vingança e abrir-se ao perdão e ao amor dos inimigos: “uma verdadeira paz só se torna possível pelo perdão”.

Hoje, os fenómenos migratórios, as assimetrias económicas e sociais, as consequentes multiplicadas formas de exclusão, fazem-nos viver tensões um pouco por todo o lado. Por isso, um coração pacificado de pastor não dorme; estimula constantemente o seu rebanho à profecia eficaz da justiça, da reconciliação, do fomento da dignificação da pessoa humana, como caminhos seguros para a paz.