Deus dá-se a conhecer a todos os povos

À Luz da Palavra – Solenidade da Epifania do Senhor A liturgia da Palavra da Solenidade da Epifania do Senhor mostra-nos como Deus se dá a conhecer a todos os povos e nações, independentemente da sua origem e condição. Deus manifesta-se (significado da palavra “epifania”) para nos oferecer a sua salvação e espera que O acolhamos com fé e esperança na realização das suas promessas de amor feitas para nós.

Na primeira leitura, o profeta Isaías, ao mesmo tempo que anuncia a glória que há-de brilhar sobre Jerusalém, após a humilhação dos tempos do cativeiro de Babilónia, prediz a universalidade da salvação: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor (…). Invadir-te-á uma multidão de camelos e dromedários de Madiã e de Efá”. Hoje, a Igreja proclama que o Filho de Deus feito homem é a sua luz, qual raiar de um novo dia, que se destina a iluminar todas as pessoas e a convocá-las para formarem um só Povo de Deus. A minha vida é luz cristã para os que vivem, ainda, na ignorância religiosa?

No evangelho, Mateus apresenta-nos o mistério profundo do Filho de Deus, nascido como homem, que é adorado, quase em primeiro lugar, pelos pagãos, representados nos Magos. Pessoas dedicadas ao estudo dos astros, perceberam numa estrela especial o anúncio do nascimento de Alguém, o Rei dos Judeus, que seria o Messias há muito prometido e esperado. Vieram seguindo a estrela que os orientava na viagem. Mas, na confusão das luzes da cidade de Jerusalém, deixaram de ver a estrela. Todavia, depois de informados pelo rei Herodes, partiram para adorar o Menino Rei. Ao dar-nos o seu Filho querido como nosso salvador, o Pai oferece-O a toda a humanidade, e não apenas ao povo escolhido, embora este seja necessário para que Jesus pudesse ser homem verdadeiro, com uma terra, uma história e uma genealogia. Assim, a festa que hoje celebramos, abre o nosso coração às dimensões do de Deus, a recordar-nos que todos os povos, nações, raças e línguas são chamados a proclamar, a seu modo, as maravilhas do amor de Deus e a adorar o seu Filho, feito ternura e proximidade numa criança, da qual nos vem a salvação. Onde estão os cristãos da nossa terra e que força moral têm para perguntarem aos “Herodes” de hoje: onde está o Menino para o irmos adorar?

Na segunda leitura, Paulo testemunha que o mistério de Cristo lhe foi dado a conhecer por uma revelação: “os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”. De facto, Deus preparou o povo bíblico ao longo de milhares de anos para que dele nascesse o Salvador. Assim aconteceu, na plenitude dos tempos. Mas Deus quis, na sua bondade e amor, salvar todas as pessoas de todos os tempos e lugares, pela acção e mediação de Jesus Cristo. Creio e aceito que a salvação é para todas as pessoas ou excluo alguém deste amor-ternura de Deus?

Leituras da Epifania do Senhor: Is 60,1-6; Sl 72 (71); Ef 3,2-3.5-6; Mt 2,1-12

Deolinda Serralheiro