Ponta de Lança Segundo a Tradição cristã, há dois mil anos Jesus, condenado à morte sob Pôncio Pilatos, carregou com a cruz aos ombros a caminho do Gólgota, onde, crucificado, morreu nas vésperas da Páscoa Judaica.
O acontecimento central da vida dos cristãos, no fundo a última Páscoa do Filho de Deus entre os homens como Homem, tem servido de inspiração a todos os homens de boa vontade. E no decurso da história é longo o caminho de artistas, de várias tendências e expressões, que se voltam para o acontecimento Jesus Cristo e, como que revisitando-o, também percorrem os seus becos, calcam as mesmas lages, experimentam as mesmas agruras daquela Páscoa longínqua!
O sofrimento de Jesus, teologicamente e artisticamente, também triunfou metaforicamente. E, quando se fala do calvário de qualquer cidadão ou instituição, aborda-se forçosamente o tema “de Jesus”. Aliás, sem Jesus Cristo não existiria Calvário!
Neste tempo de celebração do Memorial, vem a propósito confrontar o Calvário autêntico com o calvário por associação.
Jesus percorreu o Calvário animado pelo Espírito! Podia sair dali, salvar-se a si mesmo (lembrando a expressão do mau ladrão), mas aguentou até ao fim. O final do seu caminho terá sido ainda mais penoso que o percurso. O objectivo de Jesus Cristo foi alcançado: triunfou, atingiu e concedeu a Glória!
Nos calvários dos nossos dias, tudo é ao contrário. Veja-se, por exemplo, o que acontece com a essência deste nosso apontamento, o desporto, em especial o futebol. O calvário é apresentado pelo fim: quando não se atingiu ou já não se atinge a vitória! O final do caminho é de alívio! O percurso é desastroso, sem chama, sem ânimo, o percurso de quem já está morto!?
Como nos vêm à memoria Sporting, Benfica, Guimarães, Penafiel,… “tantos crucificados!?” Já nem acreditam numa morte gloriosa! Morreram antes do calvário. Trágico!
Desportivamente… pelo desporto!
