Livro Colóquios nocturnos em Jerusalém.
Sobre o risco de acreditar
Cardeal Carlo M. Martini, Georg Sporschill
Gráfica de Coimbra 2
178 páginas
Quando Carlo Maria Martini tinha cinco anos, a mãe levou-o a um concurso de beleza. As crianças foram colocadas lado a lado e, ao sinal dado, deviam começar a correr. Avaliava-se não só a beleza como também a destreza. O pequeno Carlo não ouviu o grito do director e deixou-se estar no seu lugar. Ficou em último. Porém, o director pegou no pequeno e colocou-o no primeiro lugar. “Este episódio da minha infância surge-me como imagem de toda a minha vida”, diz o cardeal arcebispo emérito de Milão. “A vida mostrou-me que Deus é bom”.
É para explicar que Deus é bom e outras certezas (“boas novas”) que foi escrito este “Colóquios nocturnos em Jerusalém”. Na capa surgem dois autores, mas as palavras do livro são do Cardeal Martini. Georg Sporschill, padre, funciona como intermediário. O livro todo consiste em perguntas colocadas por jovens e postas em cima da mesa por Sporschill e respondidas pelo antigo bispo de Milão. Chama-se “Colóquios nocturnos” porque estas conversas aconteceram à noite, “tempo de escuridão, da imaginação, dos sentidos mais apurados”. “Em Jerusalém”, porque aconteceram na cidade que foi o “primeiro amor” do Cardeal e que ele escolheu para viver após ter deixado a maior diocese do mundo, Milão. Vide “num simples quarto” numa casa dos jesuítas. “Jerusalém é a minha pátria, antes de chegar à pátria eterna” (pág. 106).
De que fala o Cardeal? De tudo o que os jovens lhe perguntam. Vejamos: acreditar em Deus, problemas de fé, o que Deus quer de nós, ser bom cristão, o amor de e a Jesus, a morte e o sentido da vida, a afectividade, viver na Igreja, tomar decisões, fé e política… Em suma, reflexões para uma “Igreja audaz e credível”.
