À Luz da Palavra VII Domingo do Tempo Comum – Ano B
Leituras: Is 43,18-19.21-22.24b-25; Sl 40 (41), 2-5.13-14; 2 Cor 1,18-22; Mc 2, 1-12
Toda a liturgia deste Domingo é um convite à renovação da experiência do amor misericordioso de Deus. Este amor é capaz de “abrir caminhos no deserto e fazer brotar rios na terra árida” que é tantas vezes a nossa vida (cf. Is 43,19).
No Evangelho, Jesus surpreende-nos com a sua capacidade de perdoar os pecados, de curar daquilo que verdadeiramente atenta contra a vida da pessoa e dos irmãos. Por vezes pensamos que a saúde física ou o bem-estar material é tudo o que podemos pedir, mas Jesus desafia-nos, tal como desafiou aqueles que esperavam dele somente o poder de curar. “Para saberdes que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa” (Mc 2,10-11) A cura física daquele homem foi sinal de uma cura mais profunda e radical.
O pecado é um “não” a Deus, à Sua vida e ao Seu amor. Só Jesus é capaz de fazer a pessoa reconhecer esse “não” e fazer com que se abra à sua misericórdia e ao seu perdão. Esta experiência torna-nos pessoas capazes de acolher os planos e projectos de Deus, torna-nos capazes de dizer e ser um “sim” a Deus como foi Jesus.
Diz-nos S. Paulo na segunda leitura: “Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, (…) não foi sim e não, mas foi sempre um sim.” (2 Cor 1,19). É nesta atitude de estar a responder a Deus, que Paulo se baseia para se defender de um mal-entendido com a comunidade de Corinto. Acusado de ser ambíguo, por ter dito que visitaria aquela comunidade mas tendo depois ficado impossibilitado de ir, Paulo defende-se afirmando que a sua linguagem, tal como a de Silvano e Timóteo, não é “sim” e “não”. Fica claro nas suas palavras que esta fidelidade a Deus não vem dele próprio. É porque Jesus abriu esse caminho e não foi “sim” e “não” que eles podem dizer que a sua pregação e opções são fruto de um “sim” a Deus.
A ambiguidade confunde-nos e confunde os que em nós precisam de ver realizar-se as promessas de Deus. Por isso, precisamos de ser sinceros connosco próprios e com Deus para que Ele nos esclareça, nos perdoe e nos faça pessoas de um “sim” a Ele como Jesus.
O Senhor chama-nos a ser pessoas cuja linguagem também não é “sim” e “não” e que, tal como S. Paulo possamos estar firmes no nosso “sim” a Deus e à Sua Palavra. Para isso, é preciso reavivar a fé em Jesus que é o “sim” de Deus. “É por Ele que nós dizemos ‘Amen’ a Deus para sua glória” (2 Cor 1,20). Que na Eucaristia deste Domingo quando dissermos o nosso “amen” para comungar o Corpo do Senhor, desejemos realmente fazer o que Deus quer e deixar transparecer na nossa vida o Seu amor.
Filipa Amaro,
Fraternidade Missionária Verbum Dei
