Olho de Lince Aquela visita não era familiar directa. Mas tinha a sensibilidade de quem sabe aproximar-se de uma velhinha quase centenária, doente, a sofrer as dores de alguma solidão que sempre traz o internamento hospitalar, apesar de acompa-nhada por outras ocupantes da mesma sala.
A senhora foi amável na conversa, trouxe os miminhos que, mesmo desnecessários, sabem bem… Enfim: aquela visita foi um momento palpável de conforto! Por isso, a despedida foi saborosa. Peremptória, a lucidez da idosa sentenciou, sem dúvidas: “Muito obrigada por ter vindo. O corpo já não precisa de nada; a carcaça já vale pouco. Mas o espírito não acaba. O carinho é muito importante. Muito obrigada pelo conforto”!
De facto, naquela tarde, o conforto foi a melhor visita para a senhora hospitalizada!
Q.S.
