O esplendor no entardecer da vida

Colaboração dos Leitores – 1 de Outubro, Dia do Idoso A vida longa já não é um caso raro, nem uma excepção.

A ciência e a medicina no seu progresso vão retardando a chegada da morte e multidões de idosos, em número crescente, povoam a terra. No começo do século XX a esperança de vida rondava os 40 anos, hoje aproxima-se dos 80.

A velhice é um período rico e luminoso que permite contemplar serenamente o passado e dar um sentido pleno a toda a existência.

O menosprezo pelo idoso será um sinal de pobreza espiritual, pois a experiência da vida só ele a tem, só ele tem histórias para recordar e contar, só ele se pode dar ao luxo de olhar para trás e sentir a tranquilidade da missão cumprida.

No entardecer da vida, a hora da velhice pode também ser um tempo para rezar por tudo e por todos, pelos que já partiram, pelos que ainda cá estão e por todos os que hão-de vir.

Para alguns, os que não tiveram a felicidade de encontrar Deus no seu caminho poderá até ser um momento de conversão.

Abandonar o passado, o presente e o futuro nas Suas mãos é uma fonte de leveza, de serenidade e de Paz.

O recurso ao Sacramento disponível para esta idade – a Unção dos Doentes – é ainda uma forma de preparara a viagem no último capítulo da história terrena.

“Fica connosco Senhor”, porque se faz tarde e a nossa vida está a chegar ao fim é um apelo no crepúsculo, na hora da viragem, é a ânsia da chegada à pátria definitiva para todo o sempre.

No dizer de Gilles Deleuze – filósofo francês – a velhice será uma sabedoria e uma arte de bem saber acabar de viver.

Maria Susana Mexia