Ponta de Lança Já não é a primeira vez que abordamos a “Questão do Estado”!
Porém, numa altura que colhemos os malefícios destas armadilhas que o Estado é, temos de rever o paradigma de organização das pessoas num determinado território. Entre imensos elementos de fundamentação desta ideia, recorremos a um artigo, de 2006, do Prof. Boaventura Sousa Santos, que diz que “a relação do Estado com os cidadãos é complexa porque, ao contrário do que pretende a teoria liberal, o Estado não reconhece apenas cidadãos, reconhece também os grupos e classes sociais a que eles pertencem. Como estes grupos e classes têm uma capacidade muito diferenciada de influenciar o Estado, a igualdade dos cidadãos perante o direito e o Estado é meramente formal e esconde desigualdades por vezes gritantes”.
As desigualdades gritantes é que desmotivam a nossa motivação.
Mas esta demissão, ou aparente desinteresse pelas matérias de todos, tem mais a ver com o posicionamento de cada um face ao bem comum (esse será o valor absoluto das organizações do Estado) do que com a boa ou má gestão que se faz da “coisa pública”.
Quando Kennedy, no discurso da tomada de posse, em 20 de Janeiro de 1961, como que declinou o compromisso do país sobre cada um acentuando o que cada um deve fazer (“não pergunte o que a América pode fazer por cada um. Pergunte o que é que cada um poder fazer pelo país”) colocou a diacronia da história social e política num novo itinerário, num novo percurso, aquele que nos falta fazer.
O individualismo do momento esgotou energias, liquidou recursos. Se não temos futuro de outra maneira, só falta unirmo-nos para traçar algo que nos dê dignidade e outra forma à nossa existência.
Só há um caminho, o de trabalhar de forma resoluta.
Como?
Cinco passos para sairmos disto:
Primeiro, retirar os olhos do umbigo!
Segundo, predispor-se a fazer o que menos custa para chegar longe: saber ler e saber mais!
Terceiro, escolher os que têm mais capacidade para governar!
Quarto, aceitar ser governado! Ter o direito de ter deveres!
Quinto, discordar mas nunca voltar para trás, isto é, abdicar de vencer os quatro passos anteriores.
É que isto que é de todos é tratado (erradamente) como se não fosse de ninguém! E, se não conseguirmos ver o que ganhamos todos por trabalhar mais, por ser mais Estado, pelo menos tenhamos consciência do que perdemos todos ao fazer pouco.
Ao Estado queremos dar pouco e mal, do Estado queremos tudo, e do bom e do melhor!
Desportivamente…
… pelo desporto!
