Jornalista Graça Franco em encontro de casais cristãos “O Estado é o principal interessado na promoção dos valores cristãos. Solucionava o défice em três tempos”, afirmou com alguma ironia Graça Franco no encontro sobre “Educar para os valores”, promovido pelas Equipas de Nossa Senhora, na tarde de 27 de Outubro. Perante o auditório do Seminário de Santa Joana repleto de casais de Aveiro, mas também de Leiria, Coimbra e Viseu, a jornalista da Rádio Renascença justificou: “A laboriosidade leva-nos a aumentar a produtividade e a poupança. A solidariedade faz dispensar os serviços da Segurança Social. O amor reduz a criminalidade, a marginalidade, o abandono escolar, a violência doméstica… O Estado devia, de facto, estar interessado em promover os valores cristãos”.
Talvez houvesse alguma ironia nas suas palavras, mas a mensagem a passar era clara. “Cabe aos educadores levar [os educandos] a encontrar um sentido para a vida, uma resposta ao «o que é que andamos aqui a fazer?»”, o que só se consegue com a afirmação de valores sólidos. E, neste campo, a família é e será a instituição “com mais força”, ainda que a educação escolar ou a comunicação social tenham influência.
“Défice de parentalidade”
Graça Franco reconheceu, no entanto, que actualmente há um “défice de parentalidade”, isto é, os pais não sabem ser pais. “As crianças não vêm com um livro de instruções. Dava muito jeito. Antes, havia na família alguém que transmitia a sabedoria. As mães ou as sogras ajudavam a cuidar dos netos. Hoje, essa ajuda parental já não é muito especializada, não só porque os filhos [casados] vivem longe dos pais, mas também porque muitas avós são mães de um filho único”, afirmou.
O “défice de parentalidade” nota-se ainda noutros campos. “Quem faz voluntariado social verifica que há pobreza extrema que advém da falta de competências parentais. Muitos pais não têm conhecimentos mínimos de economia doméstica. Não sabem fazer empadão, sopa ou esparguete à bolonhesa, «comida que rende». Com pouca coisa conseguimos dar de comer a muita gente. Há competências básicas que podem fazer sair uma família da pobreza”, sublinhou.
Apologia do “não” na educação
A jornalista considerou que pode ser “politicamente correcto que os avós não eduquem os netos”, embora tal papel também lhes pertença. “Eu acho que podem e devem educar os netos. Não podem é contrariar o projecto educativo dos filhos. Mas era o que faltava que se calassem (…). Espero poder exercer esse direito de cidadania”, disse. Reportando-se a um texto que leu no colégio que os filhos frequentavam, quando trabalhava em Bruxelas, Graça Franco, formada em economia e mãe de cinco filhos, fez uma “apologia do não” na educação. Tal texto, na boca de uma criança, referia uma série de situações em que os pais/educadores deviam dizer “não”, mesmo que tal significasse um aparente sofrimento para o educando. Graça Franco citou-o de cor: “Se eu te pedir um presente, não mo dês logo. Dá-me tempo para me preparar para o receber. (…) Não deixes de ser quem és, só para fazer a minha vontade. (…) E se eu te disser que és uma mãe muito má, resiste a pensar que és má, porque um dia eu vou dizer que és boa, muito boa”.
