O exemplo vem de cima!

Seria louco pensar que a gestão da democracia é tarefa simples, leve, linear, de importância menor. Pelo contrário: manter o rigor de serviço ao bem comum, enquadrando-o como o benefício do maior número possível de cidadãos, com respeito pela dignidade da pessoa humana, … é tarefa gigantesca, sobretudo quando se sabe que isso implica a coragem de romper com interesses instalados, estar permanentemente atento à tentação de novas mordomias e corporações.

Todos sabemos é que, apesar de tal responsabilidade, há sempre o apetite da governação. Os programas anunciados em campanha eleitoral prometem a melhoria da situação do País, surgem envolvidos na capa inocente de uma entrega total ao serviço da Comunidade nacional…, mas trazem subtis intenções de colher proveitos, pessoais, para os grupos políticos respectivos, para os grupos de interesse próximos de quem concorre.

Certo é que a saga real do quotidiano nacional se revela sempre surpreendente. E aí é que se joga a perícia de conciliar os “interesses subterrâneos” com o bem comum (ou, ao menos, a sua aparência). A missão das oposições será de vigilância atenta, de denúncia firme mas civilizada, de sugestão desinteressada em ordem a correcções ou melhorias.

A distribuição de funções e cargos, nas instituições que dão corpo à governação, tem de se basear essencialmente em dois pilares: a competência e a lealdade na cooperação. Todavia, esta lealdade não tem que ver com a proximidade de cor partidária, nem pode diluir a diversidade de órgãos do poder. Nenhum dos poderes constitucionais poderá ter a pretensão de anular, diminuir ou bloquear qualquer outro.

Aqui, sim, parece que a nossa democracia é ainda demasiado jovem. Quando menos se espera, declaram-se perdas de confiança. Por mais que se diga o contrário, nem sempre se prima pelo critério da competência nas nomeações (não sei se os concursos não seriam um processo mais correcto?!), todos estão à espreita de quem possa ser bafejado, para ver se se abrem “portas do cavalo” mais favoráveis…

É evidente que o exemplo tem de vir de cima! E vão sendo raros os servidores da Pátria. Só os que são fiéis em coisas pequenas merecem o crédito para gerirem coisas grandes. A ascensão meteorítica de “luzeiros” políticos não traz bons ventos! E são tantos os que saltam do rés-do-chão para o terceiro ou quarto andar, só porque mostraram os dentes a um candidato vencedor ou deram uma mãozinha para a vitória! Competência, senhores! Lealdade sem servilismos! E que o exemplo venha de cima!