O incómodo de um pseudónimo

Uma pedrada por semana A pedrada vai cair hoje, muito justamente, sobre quem a atira.

Com o acolhimento do jornal, comecei, há tempos, a escrever estas pequenas notas, a que chamei “uma pedrada por semana”. O intuito é, como se tem verificado, chamar a atenção para factos, locais ou nacionais, que merecem algum reparo. Quis favorecer, da minha parte, uma justificada discrição, a que conscientemente me votei e, como já assinava, semanalmente, um artigo de opinião, deitei mão de um antigo pseudónimo, que usei em Portalegre, noutros tempos e noutras circunstâncias bem diferentes. Um nome normal, formado por sobrenomes de família.

Não era meu intento esconder-me, mas apenas apagar-me um pouco, continuando interveniente e activo. A pedrada nunca é, por minha intenção, atirada para ferir, mas só para ajudar a resolver ou a reflectir.

Acontece, porém, que não me sinto bem no anonimato, muito menos neste tipo de escritos. Quem vem a público deve dar a cara. De outro modo, parece-me uma maneira menos responsável de intervir.

Por tudo isto, não aguentei mais. Aqui estou a dizer que o Almeida Camilo sou eu. Peço desculpa e não voltarei a pseudónimos, a nenhum título e por nenhuma razão.

Ou assino ou não escrevo. Simplesmente. Mas vou continuar, agora com mão conhecida, a atirar “uma pedrada por semana”. Para acordar, se for caso; nunca para ferir.

A. Marcelino