Olho de Lince A celebração terminara há poucos instantes, mais longa que o habitual pelo facto de ter incluído a Primeira Comunhão. Preparávamo-nos para rumar em busca da refeição já apetecida.
Irrompe, entretanto, sacristia dentro, um par sorridente e interpelador. Os rostos não eram de todo desconhecidos… Mas o tempo e a abundância de pessoas que se cruzam connosco não permitem sempre uma identificação imediata. Feitas breves apresentações, sem solenidades, foi possível reconhecer depressa os interlocutores.
“Estamos aqui para lhe agradecer ter presidido à celebração do nosso Matrimónio, precisamente há trinta e seis anos” – dispararam sem “gaguejar”. “Hoje, dia da Mãe, depois de ouvir as suas referências à maternidade e implícitas afirmações sobre o Matrimónio, deu-nos vontade de levantar o braço, para afirmar que vale a pena! Depois destes trinta e seis anos, faríamos o mesmo caminho, com redobrado entusiasmo!”
Claro que, em meio de tal desorientação sobre a opção matrimonial, foi o melhor aperitivo que poderia ter aparecido. A segurança com que testemunharam não deixou dúvidas de que, certamente com alguma turbulência pelo meio, a viagem da vida era saborosa.
Q.S.
