Área de intervenção 8 – Informação, Cultura e Lazer – Projecto MUSEAVE Ana Margarida Ferreira, directora do Museu de Aveiro, apresenta o Projecto Museave, que visa criar serviços e produtos pedagógicos para pólos museológicos
Que produtos e serviços pedagógicos vão ser criados por este projecto?
O nosso objectivo é produzir uma aplicação digital onde vamos explorar conteúdos museológicos e patrimoniais de forma lúdica, para uma faixa etária dos 8 aos12 anos. Vamos fazer um jogo sobre a origem do Convento de Jesus – onde está instalado o Museu –, e a relação com os territórios envolventes de Aveiro. Podemos nomear o Museu do Requeixo e o Ecomuseu da Marinha da Troncalhada, Vagos e Oliveira do Bairro. O Convento de Jesus, nos sécs. XV e XVI, tinha casais agrícolas, quintas e marinhas, e toda a vida económica e acção cultural do Convento se desenrolava na cidade e nestes pólos.
Trata-se de inovação ao nível dos conteúdos?
Não há inovação em termos de investigação. As fontes históricas são conhecidas há muito e estão publicadas, como a Crónica da Fundação do Convento ou a história do Convento de Jesus, por Domingos Maurício. Trata-se de inovar ao nível das formas de comunicar. Este produto digital é que constitui o nosso média inovador.
É algo para os alunos verem no Museu ou para verem o Museu a partir das escolas?
O nosso objectivo é que o jogo esteja acessível das formas mais diversas e, portanto, na Internet. No Museu e nos pólos associados, vai haver pontos multimédia, onde os nossos visitantes poderão fruir desta estratégia, mas também de outras. O Museu da Aveiro vai ter uma microgaleria digital, com oitos postos, mas os computadores não vão estar aqui simplesmente para jogar este joguinho. Vão ter ligação ao Martiznet [http://matriznet.ipmuseus.pt], que é o “front-office” do inventário dos museus nacionais. Os nossos visitantes poderão usar esses computadores para aceder a outros conteúdos. No Museu do Requeixo vai haver dois postos, tal como no da Palhaça.
O projecto Museave representa um avanço tecnológico?
Este projecto é uma experiência. Vale como experiência de criação de produtos pedagógicos para exploração de conteúdos museológicos e patrimoniais. Com o valor desta candidatura não podemos fazer um jogo de alta tecnologia. Vamos fazer um ensaio de um produto pedagógico para uma faixa etária muito circunscrita e muito bem pensada e que pretendemos que seja inovador para ser potenciador de outros projectos.
Como se estão a organizar para desenvolver o projecto?
Desde logo, tivemos de nos organizar como consórcio, com várias equipas camarárias dos sectores de cultura e museus. Depois, temos fornecedores de serviços, como um consultor da Universidade de Aveiro. E estamos a fazer diligências para encontrar um medievalista que valide os conteúdos históricos que vão ser transmitidos. A investigação, fazemo-la nós. Temos competências para isso. Mas ao transpor para as novas linguagens, precisamos de um especialista que faça a validação dos conteúdos, que nos diga que o chapeuzinho está correcto, que na naquela época se usavam chapéus quadrados e não em bico, por exemplo.
Encontraram todos os apoios na região de Aveiro?
Até agora sim. De alguns ainda estamos à procura.
Quando é que o projecto vai ter uma presença efectiva na vida das escolas?
O nosso cronograma prevê que o produto esteja completamente operacional no final de 2006.
Quando fala da atenção às novas tecnologias, deduz-se que vai estar atenta à possibilidade de novas candidaturas…
Acredito nas tecnologias como meio de comunicação nos museus. Estamos a começar uma grande obra de requalificação e ampliação do Museu de Aveiro. Contamos que comece em Novembro e dure três anos. Espero que no museu refundado seja possível ter folhas de sala e tabelas convencionais, mas também outras estratégias de comunicação baseada no digital.
Qual seria a sua prioridade no âmbito digital?
Há duas áreas que me interessa aprofundar: esta da comunicação dos conteúdos e outra que tem a ver com a monitorização e controle das condições de ambiente (iluminação, humidade, temperatura, fluxo de visitantes…) em que estão as colecções, isto é, conservação preventiva. É um sector que funciona ainda de forma muito artesanal.
Perdem-se peças?
Não é se pode fazer uma leitura de causa-efeito, mas o tempo é impiedoso. Os objectos envelhecem como nós. Ora, também é possível fazer uma espécie de medicina preventiva para os objectos. E isto tem de passar pelo uso do digital.
Destaca mais algum valor neste projecto?
Na experiência do Museave há um valor a potenciar em termos futuros: o trabalho em consórcio, a produção de conhecimento em rede. Gostaria que o trabalho com equipas de Aveiro, Vagos e Oliveira do Bairro, que está a ser absolutamente gratificante, tivesse continuação. Devemos aprofundar a produção de conhecimento e sua transmissão em rede. O Museave é uma pequena experiência que pode potenciar coisas futuras.
