“Teatro da modernidade numa cidade moderna”

Área de intervenção 8 – Informação, Cultura e Lazer – Projecto AAD-TA João Aidos, do Teatro Aveirense, fala da AAD-TA – Academia de Artes Digitais, que prevê a criação recursos técnicos e humanos para desenvolver obras de arte digital

O que se pretende com esta Academia de Artes Digitais?

Esta Academia pretende ser um espaço em que a arte digital, a multimédia e a arte virtual são a forma de trabalhar. É um espaço de criatividade. Pretende-se desenvolver recursos técnicos e humanos para aplicar nas artes performativas, da dança ao teatro, passando ópera. Tudo o que se pode fazer neste âmbito exige meios técnicos avultados – são máquinas pesadas e de ponta – e recursos humanos especializados. Por isso é muito difícil a criação artística nesta área. A Academia permitirá que um criador desenvolva os seus projectos no Teatro Aveirense (TA) em colaboração com a Universidade de Aveiro, dado que o Departamento de Comunicação e Arte e alguns professores desenvolvem trabalhos nestas áreas. Faz todo o sentido que uma cidade como Aveiro, virada para a tecnologia, tenha uma academia deste tipo.

Numa peça de teatro ou de bailado, em que é que a AAD-TA pode ter uma influência decisiva?

É fundamental a formação intensiva de recursos técnicos para desenvolverem o trabalho. Um dos primeiros cursos é “Modelização em 3D”. Serve, por exemplo, em termos de dança, para um bailarino estar ligado a sensores e todos os seus movimentos serem transferidos para computador, onde podem ser trabalhados. Há um outro projecto que é a Ópera Atlântico, com música e libreto de Carlos Alberto Augusto e baseada numa peça de Abel Neves. A ideia é criar todos os cenários virtuais, em raios laser. Um dos últimos trabalhos, em colaboração com o “Espaço do Tempo”, do Centro Coreográfico em Montemor, de Rui Horta, vai ter aqui a estreia nacional.

O projecto vai começar ainda este ano, em Dezembro, altura em que faremos uma bienal de artes digitais. Pretendemos que estes trabalhos, que são feitos muito pontualmente pelo país, se centralizem em Aveiro.

Há dois pilares neste projecto, um de apoio e outro de criação…

A curto prazo, queremos que Aveiro, através da mostra bienal, seja reconhecido a nível nacional e mesmo internacional. Em termos futuros, queremos criar as tais condições de recursos humanos e técnicos para os criadores poderem desenvolver projectos.

Este projecto vai garantir esse equipamento?

Sim. Há um grande investimento em equipamento. Uma parte vai ficar alojado à Sala Estúdio (foto) e outra na Fábrica da Ciência, que tem espaço em bruto fantástico, autênticas salas de trabalho. O objectivo é que daqui dois anos um coreógrafo como o Rui Horta ou a Vera Mantero possam concorrer ao Ministério da Cultura ou ao Instituto das Artes para desenvolver um projecto em Aveiro.

Neste projecto as atenções estão centradas nos artistas e não no público…

Direccionamo-nos aos grandes criadores nacionais. Mas como isto vai trazer criadores a Aveiro, creio que vão movimentar-se determinados tipos de público e criar outros.

É um passo para a modernização do TA?

Modernização e singularidade. A nossa programação pode assemelhar-se a outras, embora tenhamos um Serviço Educativo muito activo. Penso que com este projecto poderemos destacar o TA no meio de outros: teatro da modernidade numa cidade moderna.

Quem são os parceiros? Estão decididos?

Praticamente. Estamos ainda a convidar especialistas para ateliês. Alguns estão confirmados, como o “Espaço do Tempo”, de Rui Horta, a Universidade de Aveiro, através da Fábrica da Ciência, da Fundação Jacinto de Magalhães e do Departamento de Comunicação e Arte. Depois, em cada área temos de ir buscar quem mais tem trabalho de ponta nesta matéria.

Na parte dos materiais e programas, são empresas da região?

Não. São sobretudo de Lisboa.

Sentiam necessidade de investir nesta área?

Pela minha parte, já a sentia quando estava na Efémero – Companhia de Teatro de Aveiro, que procurava ligar-se às novas tecnologias. O próprio espaço do estaleiro funcionava a esse nível. Mas aqui há uma oportunidade de dar um grande salto.

O TA admite continuar a recorrer ao Programa Aveiro Digital?

Concorremos há muito pouco tempo a um projecto que tinha a ver com a digitalização da documentação do nosso espólio, que é uma memória e arquivo invejável. Há neste momento duas pessoas a fazerem mestrado e doutoramento sobre o nosso espólio.

Um dos problemas é a comunicação com a comunidade. Há uma dispersão muito grande da informação. É necessária a concertação numa espécie de agenda com toda a actividade regional, como de certa forma já foi ensaiado durante o Euro 2004. Isso poderia passar, por exemplo, pela apresentação na Internet dos equipamentos da área metropolitana, teatros, museus, etc., que serviria em termos turísticos mas também em termos de produção teatral. Como produtor, poderia ver num site, em 2D ou 3D como é o TA ou o de Estarreja e quais as suas características técnicas. Não é nada complicado fazer isso. Seria bom para ter uma noção do que existe e do que cada um faz. É uma proposta.